Espera por cirurgia no SUS pode chegar a 188 dias - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Espera por cirurgia no SUS pode chegar a 188 dias

Ministério da Saúde recorre a apoio internacional para combater intoxicação por Metanol
Ministério da Saúde recorre a apoio internacional para combater intoxicação por Metanol Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Por Redação

A espera por cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS) continua alarmante, com pacientes aguardando, em média, 52 dias para um procedimento neste ano — apenas um dia a menos que em 2023. Em casos mais graves, como os oncológicos, o tempo pode chegar a 188 dias, muito além dos 60 dias exigidos por lei.

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A cabeleireira Lígia Miranda, por exemplo, enfrentou uma espera de dois anos e dois meses para retirar um tumor em Brasília.

Se tivesse feito a cirurgia no tempo certo, não teria sido mutilada”, desabafou.

Após o procedimento, deveria ter iniciado a quimioterapia em até três meses, mas só foi chamada sete meses depois.

Aí o médico disse que, como havia passado muito tempo, seria melhor fazer radioterapia”, relatou.

O problema não é isolado. A consultora de moda Amanda Frazão, diagnosticada com um tumor mamário em 2021, conseguiu operar pelo SUS, mas aguardou cinco meses para iniciar a radioterapia.

O maquinário estava quebrado. Só consegui fazer o tratamento meses depois”, disse ela.

Fila no SUS

Segundo dados obtidos pelo jornal O Globo via Lei de Acesso à Informação (LAI), a fila para cirurgias cresceu após a pandemia e ainda não foi normalizada. Antes da crise sanitária, a média de espera era de 31 dias. Em 2022, subiu para 51 e, agora, chegou a 52 dias. Durante a pandemia, os procedimentos eletivos foram suspensos, aumentando a demanda reprimida.

Apesar do Ministério da Saúde afirmar que 2023 teve recorde de cirurgias eletivas, com 14 milhões de procedimentos realizados — um aumento de 37% em relação a 2022 —, especialistas apontam que a crise no SUS vai além da demanda represada pela pandemia e reflete falhas estruturais na saúde pública.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Karen de Marca, destacou que a falta de profissionais e infraestrutura são entraves graves.

A primeira coisa que a gente tem é déficit de profissionais. Os salários são muito abaixo do mercado privado. Além disso, muitas instituições não têm o suporte e infraestrutura para tantas cirurgias, não há salas reformadas. Talvez sejam os dois principais fatores: falta de locais para as cirurgias e falta de recursos humanos para trabalhar”, explicou Karen.

O Ministério da Saúde, agora sob o comando de Alexandre Padilha, afirmou em nota que tem adotado iniciativas para reduzir as filas.

Registrou recorde histórico de cirurgias eletivas em 2023. Foram mais de 14 milhões de procedimentos realizados, um crescimento de 37% em relação a 2022.”

Ainda assim, os números mostram que a espera para cirurgias na rede pública segue em patamares preocupantes, especialmente para pacientes que lidam com doenças graves.

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