O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), classificou como “equivocada” a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio. Apesar disso, tentou minimizar os efeitos para o Brasil. “Ela foi uma medida geral, para todos os países, ela não foi específica”, afirmou nesta quinta-feira (13).
A nova taxação entrou em vigor na quarta-feira (12), afetando diretamente o Brasil, um dos principais fornecedores desses produtos aos EUA. Alckmin insistiu que a decisão não mira o Brasil e defendeu o diálogo como solução. “Nós entendemos que o caminho não é olho por olho. Se fizer olho por olho vai ficar todo mundo cego. O caminho é ganha-ganha. Comércio exterior é ganha-ganha.”
O ministro argumentou que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil e que o país “não é problema” para os americanos na balança comercial. “É equivocado porque os EUA têm déficit comercial com o mundo, mas não com o Brasil”, disse Alckmin, que também afirmou estar em contato frequente com Lula para tratar do assunto.
Apesar do discurso de Alckmin, a medida pode trazer consequências significativas para a economia brasileira. Segundo o Instituto Aço Brasil, os Estados Unidos foram o destino de cerca de 60% das exportações de produtos siderúrgicos brasileiros no ano passado. O aumento das tarifas, herdadas da política protecionista do ex-presidente Donald Trump e mantidas pela gestão de Joe Biden, pode obrigar o Brasil a redirecionar parte de sua produção, elevando o risco de queda nas exportações e demissões no setor.
Atualmente, o Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. Em 2024, os embarques brasileiros somaram pouco mais de 4 milhões de toneladas, representando 15,5% das importações americanas, com receita de US$ 2,9 bilhões.
A sobretaxa americana tem como principal alvo a China, mas os efeitos colaterais atingem o Brasil, que enfrenta a possibilidade de redução na circulação de dólares com o recuo das vendas externas. A consequência pode ser a desvalorização do real e a retração na atividade industrial.
Alckmin confirmou que uma reunião técnica sobre o tema ocorrerá nesta sexta-feira (14), mas não deverá participar. Segundo ele, as negociações com os EUA serão iniciadas logo depois. “Todo dia eu estou com o presidente Lula, vou sempre mantendo-o a par dos assuntos”, afirmou o vice-presidente.
Enquanto o governo petista tenta adotar um tom diplomático, o setor produtivo alerta para os impactos concretos do tarifaço. As empresas do setor siderúrgico já se preparam para um cenário de redução de produção e possíveis cortes de empregos.
