Ives Gandra: “Cada vez que popularidade do presidente cai, temos narrativa de golpe” - Claudio Dantas
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
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Ives Gandra: “Cada vez que popularidade do presidente cai, temos narrativa de golpe”

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Em vídeo postado no Instagram hoje (20), o jurista Ives Gandra reagiu à denúncia apresentada há dois dias pela Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e 33 outras pessoas por suposta tentativa de golpe de Estado.

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O advogado e professor, que fez 90 anos no último dia 12, está internado desde o dia de seu aniversário por causa de uma infecção bacteriana, mas melhorou e gravou o vídeo do leito do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

“É uma coincidência interessante”, comentou o professor, “cada vez que começam os sinais de dólar elevado e inflação crescendo, aparece a narrativa” do golpe.

Para Gandra, há incoerência do Supremo Tribunal Federal na ordem de prisão contra o general Walter Braga Netto, baseada na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, e a jurisprudência estabelecida antes para as delações premiadas da Lava Jato, que na opinião do ministro Gilmar Mendes, relator de um dos processos, não poderiam ser usadas como base para prisão.

“Curiosa intepretação: se o cidadão é de esquerda, trabalhou nos governos que geraram Petrolão e Mensalão, é algo inadmissível se o devido processo legal não foi seguido”, disse o jurista.

O especialista criticou que o Procurador-Geral da República, Paulo Branco Gonet, tenha acusado Bolsonaro e os outros réus de “atentado violento ao Estado Democrático de Direito” envolvendo os vândalos do 8 de Janeiro. “Houve destruição de prédios, com grupos desarmados, sem nenhuma liderança. Alguns tinham estilingues. Nunca houve na história do mundo um golpe de Estado com gente desarmada”, comentou.

Além disso, os militares “jamais entrariam numa aventura dessas”, afirmou Gandra, lembrando de sua experiência como professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Gandra expressou admiração pelo Procurador-Geral, de quem já foi colega no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) de Gilmar Mendes, mas disse que em sua denúncia “não há um ato sequer que tenham demonstrado que realmente [foi tentativa de] matar o presidente [Lula]”.

O jurista repetiu que vê uma curiosa coincidência entre a produção da denúncia e a queda da popularidade do presidente para 24%, em referência à pesquisa do Datafolha da semana passada. “Se não mudar a política, a popularidade vai continuar caindo”.

Para Gandra, autor de 90 livros e coautor de 350 outros obras e três mil artigos acadêmicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um “pragmático em seus dois primeiros mandatos, mas um ideólogo nesse terceiro mandato”, e não consegue perceber que os principais anseios da população são econômicos.

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