2025: o ano do ajuste - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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2025: o ano do ajuste

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Por Redação

Por Leonardo Barreto

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A prática geral dos governos ensina que a primeira parte do mandato é para fazer ajustes e a segunda para soltar as rédeas das despesas mirando a reeleição. Lula fez o contrário e expandiu fortemente os gastos de saída e deixou o equilíbrio fiscal todo para o lado da receita.

A fórmula devastou a confiança dos agentes financeiros na política econômica do país.

O problema, segundo me explicou Denis Ferraz, um experimentado analista de mercado, é que o equilíbrio fiscal, como ficou todo do lado da receita, depende fortemente que o país continue crescendo. Hoje, diante de um avanço estimado pelo IPEA de 3,2% em 2024, o país deve crescer entre 2,2 e 2,5% em 2025.

Com a taxa básica de juros em 13,25%, a autoridade monetária está trabalhando para frear a economia e reduzir a inflação. A questão que se impõe ao governo é calibrar a dose do remédio, numa equação delicadíssima.

O economista André Perfeito afirma que uma recessão é muito provável porque o contexto atual combina empresas e famílias endividadas, juros altos e redução do ritmo do crescimento, trazendo muitas dúvidas sobre o equilíbrio fiscal de 2025 e de 2026.

O governo tentou ajudar pelo lado da despesa em dezembro de 2024. Em um artigo publicado hoje (04) no Valor, o economista Luiz Shcymura afirmou que o pacote aprovado tenta reduzir a expectativa de crescimento dos gastos para os próximos dois anos em R$ 70 bilhões, mas contas do economista Manoel Pires dizem que o resultado ficará por volta de R$ 58 bilhões.

Sem tração, e sem disposição política para fazer um novo pacote de gastos, como já foi explicitado pelo presidente Lula, o ministro Fernando Haddad pode ter que manobrar via congelamento e bloqueio do orçamento de 2025, que ainda não foi aprovado. Nem é preciso dizer o potencial de conflito político embutido nesta opção.

Nos sonhos do ministério da Fazenda, 2025 o Brasil fará um pouso suave na economia para se preparar para um novo impulso em 2026. Na prática, trata-se de um eufemismo para a verdadeira tarefa que Haddad tem à frente: fazer, no período de dois anos, o que normalmente se faz em quatro, isto é, um ajuste para recuperar condições de fazer o cavalo correr de novo no ano que vem.

Leonardo Barreto é doutor em Ciência Política (UnB) e sócio da consultoria Think Policy.

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