A Polícia Federal pediu a prisão dos militares bolsonaristas que cogitaram golpe e assassinato no dia seguinte à reunião secreta entre Lula, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues no Palácio da Alvorada. O encontro, que não constava das agendas de nenhuma das autoridades, só veio à tona por causa do suicídio de Tiu França, na noite do dia 13 de novembro, um quarta-feira. As autoridades estavam reunidas no mesmo horário para, segundo justificaram depois suas assessorias, “uma avaliação de cenário”.
No dia seguinte, a PF encaminhou a Moraes ofício com o relatório da investigação e o pedido para deflagração da Operação Contragolpe. A manifestação do PGR foi assinada na sequência, no dia 15, e o ministro despachou autorizando as prisões no domingo 17. A cúpula do G-20, com a presença de Joe Biden, Xi Jinping, Emmanuel Macron, entre outros líderes mundiais, começaria no dia seguinte.
A operação de ontem, dia de encerramento do G-20, teve ampla repercussão na mídia internacional e ocorre num momento de tensão crescente entre Brasil e EUA, após a vitória de Donald Trump. O republicano convidou para seu governo Elon Musk, que teve o X bloqueado por Alexandre de Moraes e que foi atacado por Janja no domingo, em evento paralelo à cúpula. Trump também indicou para a secretaria de Estado o senador Marco Rubio, que acusou Lula de encobrir os crimes de Nicolas Maduro e de censurar Elon Musk.
As prisões, em pleno G20, ajudam a fortalecer externamente a narrativa do golpe e agora com o requinte de uma tentativa de assassinato dessas mesmas autoridades, o que tende a ampliar o apoio ao Brasil em fóruns multilaterais, como ONU e OEA, ou mesmo no Congresso americano, restringindo por constrangimento a margem de manobra do futuro governo Trump.
Se foi planejado, é grave. A coincidência de datas e a falta de transparência da agenda das autoridades, naturalmente, não contribui para a percepção de imparcialidade que se espera das instituições.
