O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu ontem (27) com o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, em um encontro de cerca de 40 minutos no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O diplomata foi chamado à capital federal para consultas após críticas do presidente argentino, Javier Milei, a Lula (PT).
Vieira e Bitelli terão uma nova reunião após o retorno do chanceler brasileiro de Lima, no Peru. O ministro representará Lula na posse da presidente eleita Keiko Fujimori, marcada para hoje (28), no Congresso peruano.
As críticas de Milei ocorreram durante sua participação na convenção nacional do PL, em 25 de julho, evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Na ocasião, o argentino afirmou que a Argentina convive com um conceito econômico chamado “risco Kuka”, em referência aos integrantes da família Kirchner.
Segundo Milei, o Brasil enfrenta atualmente o “risco Lula”. O presidente argentino também chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca” ao criticar decisões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em resposta às declarações, Vieira classificou as falas do argentino como “inaceitáveis”. “As declarações do presidente da Argentina foram muito graves e foram muito mal recebidas. Essas declarações foram críticas e de uma forma muito agressiva ao governo brasileiro, ao povo brasileiro, às instituições, ao Executivo, ao Legislativo e ao próprio presidente da República. Foi uma interferência em assuntos domésticos, em assuntos nacionais”, disse o chanceler brasileiro no domingo (26).
Também no domingo, o Itamaraty convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para apresentar um protesto formal contra as declarações de Milei. Em nota, a pasta classificou as falas como “agressões” e afirmou que elas representam uma “grave violação do dever de respeito” entre chefes de Estado.