Defesa de Flávio pede ao TSE rejeição de ação contra 'Bolsonaro de IA'
Brasília, Terça, 28 de julho de 2026
Justiça

Defesa de Flávio pede ao TSE rejeição de ação contra ‘Bolsonaro de IA’

Partidos de esquerda acusam Flávio e PL de propaganda antecipada e uso irregular de IA

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Por Redação

A defesa do pré-candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite o pedido de tutela de urgência apresentado pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que acusa o partido e o senador de propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial (IA).

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Protocolada no domingo (26), a ação da federação de esquerda questiona um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) que simula um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O conteúdo foi exibido no sábado (25), durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência.

Na manifestação enviada ao ministro Nunes Marques, relator do caso, os advogados Maria Claudia Bucchianeri, Ana Marcia dos Santos Mello, Paulo Henrique Golambiuk e José Vicente Santini sustentam que convenções partidárias são o espaço legítimo para apresentação de projetos, lideranças e pedido de apoio político.

Segundo a defesa, o vídeo “não traz, nem de longe, pedido explícito de voto ou expressão semântica equivalente, tal como exige este TSE”. “Não há qualquer alusão ao pleito, à sua data, ao ano da eleição ou ao cargo pretendido. Nada”, afirmam os advogados.

A defesa também rebate a tentativa da federação de criminalizar a “transferência de capital político”. Para os advogados, a alegação é “heterodoxa”, representa “criminalização da política” e adota “estranha métrica da autora”.

“A declaração de apoio de liderança política a correligionário é atividade absolutamente ordinária da vida partidária e que faz parte da própria natureza da vida política. Chega a ser heterodoxo ter que fazer tais registros numa petição ao Poder Judiciário”, afirma a defesa.

Para reforçar o argumento, a defesa anexou à ação imagens da campanha “Lula é Haddad”, de 2018, sustentando que o episódio representa o mesmo tipo de “transferência de capital político” apontado agora pela federação contra Flávio.

“A política representativa estrutura-se, em grande medida, por endossos, alianças, sucessões, recomendações, formação de grupos e transferência legítima de confiança entre lideranças e candidatos. Não há, nem deve haver, em democracias que se pretendam sólidas, norma que proíba uma liderança de afirmar preferência por determinado pré-candidato ou de apresentá-lo como sucessor ou o melhor representante de seu projeto político”.

Outro ponto contestado é a acusação de participação em atividade partidária por quem não estaria “no gozo de seus direitos políticos”. Segundo a defesa, trata-se de “dispositivo que não se acha mais em vigor há mais de 10 anos”.

Os juristas prosseguem dizendo que a parte autora “pratica insistentemente o pedido escancarado de votos em eventos institucionais custeados com verbas públicas, sem falar nas milhares e milhares de peças promocionais que segue a publicar, durante o período vedado, e com maciço uso de dinheiro público”.

Os advogados ainda rejeitam a acusação de uso de “deep fake”. Segundo eles, trata-se de “conceito que não se confunde com o de IA generativa. Aliás, se deep fake for, ilícitos em cadeia estão estampados neste minuto nas redes sociais dos partidos integrantes da federação autora”.

Na conclusão, a defesa afirma que “a transparência integral, a ausência de falsidade material, a inexistência de qualquer ofensividade, a montagem exclusivamente digital (sem mesclas entre realidade e digital) e o contexto interno e político que é próprio das convenções partidárias constituem elementos relevantes que afastam, por completo, qualquer alegação de ilicitude manifesta, até porque de deep fake não se cogita na espécie”.

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