O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou, nesta quinta-feira (23), um vídeo nas redes sociais em que faz um apelo pela união da direita, renova o convite para que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) caminhe ao seu lado na campanha eleitoral e volta a pedir desculpas pelos desentendimentos públicos entre os dois.
Na gravação publicada no Instagram, Flávio afirmou que o objetivo do grupo político deve ser a derrota do PT nas eleições de 2026 e defendeu que divergências internas não enfraqueçam o campo conservador.
“É senso comum que o nosso Brasil não suporta mais quatro anos de PT e que alguém que já teve três mandatos para fazer e não fez, não merece um quarto mandato, porque é óbvio que ele não vai fazer de novo. Mas para a gente libertar o Brasil e levar prosperidade para a nossa nação, é preciso que todos entrem em campo e me ajudem”, afirmou.
O senador direcionou parte da mensagem à ex-primeira-dama, elogiando sua atuação à frente do PL Mulher e o trabalho desenvolvido em pautas sociais.
“Todos nós reconhecemos o grande trabalho que ela fez no PL Mulher, percorreu o Brasil inteiro por uma causa, valorizando e inspirando milhares de mulheres a ingressarem na vida pública e também o seu trabalho para ajudar as pessoas com doenças raras e os surdos”, disse.
Flávio também mencionou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e afirmou que Michelle tem assumido um papel central nos cuidados com o marido.
“Com a covardia que fizeram com meu pai, ela tem a responsabilidade de cuidar dele no dia a dia. Todo mundo sabe que hoje, até nós, os filhos, a gente está proibido de ver o próprio pai, o que aumenta ainda mais a importância dela. Ela precisa ser reconhecida e respeitada também por isso”, declarou.
Na sequência, o senador voltou a pedir desculpas pelos episódios que provocaram desgaste na relação com a ex-primeira-dama.
“Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e mais uma vez peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai”, afirmou.
Flávio também fez um apelo aos apoiadores para que evitem ampliar o conflito.
“Vamos focar no objetivo principal que é resgatar o nosso Brasil. Não vamos transformar essa situação em mais motivos de ataques que podem ser explorados contra nós mesmos. Vamos evitar qualquer divisão. O momento exige união, o que nos une é muito maior do que qualquer diferença”, disse.
Ao final da mensagem, o senador renovou publicamente o convite para que Michelle participe do projeto político e defendeu união.
“Michelle, renovo aqui o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar o nosso maior líder, que é Jair Messias Bolsonaro, que enfrenta um momento extremamente difícil, que exige de todos nós desprendimento, humildade, coragem e espírito de união para honrar o seu legado”, afirmou.
Contexto
A manifestação ocorre no mesmo dia em que Michelle justificou a ausência na convenção nacional que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, que acontecerá no sábado (25), em São Paulo. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a ex-primeira-dama afirmou a aliados que permanecerá em Brasília para cuidar do marido e alegou dificuldades para deixá-lo sozinho em razão das restrições impostas pela prisão domiciliar.
O pronunciamento também acontece após semanas de desgaste entre Michelle e Flávio. A crise teve início em meio a divergências sobre alianças eleitorais no Ceará e ganhou dimensão pública depois que a ex-primeira-dama afirmou, em vídeo nas redes sociais, ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado durante uma conversa telefônica.
Após a repercussão do episódio, Flávio já havia divulgado uma nota e um vídeo pedindo desculpas à madrasta. Poucos dias depois, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023, em meio às tensões internas no partido.
ASSISTA AO VÍDEO DE FLÁVIO BOLSONARO: