O ALive desta terça-feira (21) recebeu Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atual coordenadora da equipe jurídica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Durante o programa, ela deu detalhes da “quadrilha digital” da esquerda descoberta por especialistas da área de monitoramento das redes sociais da pré-campanha.
Ontem (20), a coordenação da pré-campanha de Flávio se reuniu com o presidente do TSE, Nunes Marques, para denunciar o esquema. Segundo o PL, foram identificados cerca de 20 mil perfis falsos usados para propagar fake news contra a direita. De acordo com a denúncia, contas com identidades falsas eram utilizadas para contratar publicidade política e, após a divulgação dos conteúdos, eram excluídas para dificultar o rastreamento.
Segundo Maria Claudia, o caso “assustou muito” toda a equipe devido à magnitude do esquema. Ela afirmou que a descoberta ocorreu durante o monitoramento de anúncios patrocinados nas plataformas da Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp. De acordo com a coordenadora, os perfis eram usados para impulsionar propaganda negativa, prática vedada pela legislação eleitoral.
As páginas eram pequenas, recém-criadas, com “pouquíssimo conteúdo” publicado e irrelevantes no “ecossistema digital”, mas faziam “contratações de valor muito incompatível com o tamanho que elas tinham. Então, contratações de R$ 100 mil, R$ 200 mil”, explicou a coordenadora. “R$ 200 mil [em] impulsionamento é muita coisa. Isso alcança muita gente. E não era só uma. Eram várias e com um padrão muito próximo”.
A movimentação chamou a atenção da equipe, que passou a investigar a origem das contas. “E isso levantou uma suspeita. E desde março que a gente está cavucando para entender o que está acontecendo”, afirmou Maria Claudia.
Segundo ela, o monitoramento e a descoberta foram feitos manualmente pela equipe da pré-campanha. “E aí, nós chegamos numa situação muito heterodoxa: Primeiro, nós paramos numa empresa do Paraná. Depois, a gente detectou que muitos celulares porque é para abrir contas e fazer impulsionamento a gente precisa de celulares. Muitos celulares com DDD 041. Contas irrelevantes na perspectiva do ecossistema digital, muitas”, continuou explicando.
Bucchianeri afirmou que a estimativa da equipe do pré-candidato é de cerca de 20 mil perfis ilegais: “Isso é um negócio imenso. Que geram dois, três conteúdos. Perfis criados em identidades camufladas. Identidades falsas. CPFs frios. E essas contas vão até a biblioteca de anúncio do Meta. Contratam o impulsionamento de 100, 200 mil. Então, impulsionamento relevante. Pagam”.
Durante a entrevista, a advogada disse que a equipe encontrou CPFs de venezuelanos e de beneficiários do Bolsa Família entre aqueles utilizados para contratar impulsionamentos contra Flávio. Ela afirmou, porém, que ainda não é possível concluir se os documentos pertencem aos titulares ou se foram usados de forma fraudulenta.
“Possivelmente são CPFs falsos. O uso de CPF de terceiros. Possivelmente à revelia dessas pessoas… ou não. Isso a investigação vai nos revelar”, afirmou.
Segundo Bucchianeri, após a contratação da publicidade, as contas desapareciam: “E depois da contratação desse impulsionamento. Esse impulsionamento fica ativo na página de anúncios do Meta. A conta some”, denunciou. “E aí você não consegue mais entrar na conta, inclusive para puxar quem eram as pessoas por trás daquela conta”.
Na avaliação dela, havia um “ciclo” de ilegalidade envolvendo os perfis: “E aí logo em seguida criam-se novas contas, em novos CPFs, com novas formas de pagamento, impulsionam-se conteúdos novamente e apagam-se essas contas”.
Ela destacou ainda que as contas eram abertas em intervalos muito curtos: “Dois, três dias, um volume imenso de contas”.
Na visão de Maria Claudia, a logística da operação demonstra um grau elevado de organização: “Eu preciso pagar o Meta. Então eu preciso criar contas bancárias. Ou cartões de crédito. Digitais, internacionais. Eu preciso criar meios de pagamento oficiais. Para remunerar a plataforma. Em nome de perfis fantasmas. Criados no contexto de CPFs roubados ou fraudulentos”.
A coordenadora também questionou o uso de pesos colombianos como uma das moedas utilizadas para pagar anúncios à Meta. Segundo ela, também foram identificados pagamentos em reais e dólares: “Será que tem alguma interferência de alguma organização criminosa da Colômbia? O que está acontecendo? Então é verdadeiramente uma coisa imensa”.
Maria Claudia afirmou ainda que, com base nas visualizações replicadas, a equipe estima que o alcance dos impulsionamentos ilegais tenha chegado ao equivalente a cerca de 250 milhões de brasileiros: “90% deles ataques [a Flávio]”.
