O programa ALive desta segunda-feira (20) abordou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de proibir Jair Bolsonaro (PL) de receber visitas pelos próximos 30 dias. Apenas médicos, fisioterapeutas e advogados poderão continuar visitando o ex-presidente normalmente.
Moraes também proibiu visitas com finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestações do ex-presidente, inclusive por terceiros.
Na sexta passada (17), o ministro já havia impedido que Bolsonaro recebesse o presidente da Argentina, Javier Milei. O encontro estava previsto para 25 de julho, às 16h, mesma data em que o argentino participará, em São Paulo (SP), da oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Para o analista Ary Alcântara, a decisão de Moraes demonstra que o Brasil vive um momento de “guerra” e que os brasileiros não estão passando por um “processo democrático” e político “comum”. Segundo ele, o ministro do STF “não põe dúvidas” de que o país está “vivendo um Estado de exceção”.
“Nós estamos vivendo uma guerra assimétrica. Porque eles têm todo um conjunto de informações e contra-informações [contra a direita]”, criticou Alcântara. “Nós temos hoje o governo Bolsonaro na cadeia, ou Bolsonaro na cadeia, que teoricamente seria o vértice da oposição, a ponta da oposição”.
O analista afirmou ainda que, na avaliação dele, há uma tentativa de apresentar as medidas como democráticas, enquanto haveria o uso de outras estratégias de disputa política.
“Eles querem dar uma tinta democrática, porque ele também não tem canhões e cavalos para fazer sua guerra, diga-se de passagem. Eles usam outras armas [propagação de matérias falsas na imprensa]. O Alexandre de Moraes usa todo dia informação e contra-informação”, criticou o analista.
Alcântara também citou a forma como especulações ou decisões envolvendo Bolsonaro são divulgadas e repercutidas por veículos de comunicação:
“Essa questão do Bolsonaro, por exemplo, e a forma como ele transmite isso à imprensa e faz vazar a determinados meios de comunicação, que são imediatamente repercutidos pela oposição, é contra-informação: ‘Vou prender o Bolsonaro, vou fazer isso'”, explicou. “Não é informação. Tudo que vaza é contra-informação”.
“Nós estamos vivendo um processo literalmente tático de guerra”, completou o analista.