Lindbergh envia R$ 1,7 mi ao MST na base eleitoral de Gleisi
Brasília, Sexta, 17 de julho de 2026
Política

Lindbergh envia R$ 1,7 mi ao MST na base eleitoral de Gleisi

Recursos foram destinados por emendas ao PAA; deputado nega favorecimento à base política de Gleisi Hoffmann

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Por Redação

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) destinou R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares que foram executadas em favor de três cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no Paraná, estado que concentra a base eleitoral da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), companheira do parlamentar. A apuração é do Metrópoles.

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Os recursos foram executados no ano passado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O valor destinado ao Paraná é cerca de 2,5 vezes superior aos R$ 680 mil que Lindbergh direcionou ao programa em seu próprio estado, o Rio de Janeiro.

A maior parte da verba, R$ 1,06 milhão, foi destinada à Cooperativa de Comercialização Camponesa Vale do Ivaí (Cocavi), em Jardim Alegre. A entidade foi visitada por Gleisi Hoffmann em abril deste ano, durante a comemoração dos 29 anos do Assentamento Oito de Abril.

Na ocasião, a deputada escreveu nas redes sociais: “Foi uma alegria participar da festa de 29 anos do Assentamento Oito de Abril, em Jardim Alegre. São 550 famílias que, com muito trabalho e organização, constroem a reforma agrária popular e produzem uma grande variedade de alimentos que abastecem escolas e chegam à população por meio da Cooperativa Cocavi”.

Além da Cocavi, a Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agrícola Ribeirão Vermelho (Coprari), em Centenário do Sul, recebeu R$ 374 mil. Outros R$ 260 mil foram destinados à Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (Copacon), em Londrina.

A emenda destinada à Cocavi foi apresentada em 2024 e teve os recursos empenhados em novembro de 2025, meses após a visita de Gleisi ao assentamento.

O envio de recursos para outro estado ocorre em meio ao debate sobre a destinação de emendas parlamentares. Em 2024, o ministro Flávio Dino restringiu esse tipo de transferência ao entender que a prática pode abrir espaço para favorecimentos políticos e desvios de finalidade.

Nesta semana, Dino também determinou que os presidentes dos 21 partidos com representação no Congresso informem, em até dez dias, se exercem influência sobre a destinação das emendas parlamentares. A decisão menciona entrevista do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou haver participação de dirigentes partidários na distribuição desses recursos.

Em nota, Lindbergh Farias negou ter destinado emendas ao MST ou favorecido a base eleitoral de Gleisi Hoffmann. Segundo o deputado, os recursos foram indicados ao Programa de Aquisição de Alimentos para combater a insegurança alimentar no Rio de Janeiro e toda a distribuição ocorreu no estado fluminense.

De acordo com o parlamentar, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é responsável por selecionar os fornecedores dos alimentos, conforme a demanda e os critérios da agricultura familiar. Ele afirmou que cooperativas do Paraná e do Rio Grande do Sul foram contratadas porque a produção agrícola do Rio de Janeiro não seria suficiente para atender à demanda por produtos como arroz e feijão.

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