Em discurso à nação na noite de ontem (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de obter ilegalmente registros de 220 milhões de eleitores americanos durante a eleição presidencial de 2020 e afirmou que o episódio representa “o maior comprometimento de dados eleitorais da história”.
Segundo o republicano, o vazamento envolveu nomes, informações de contato, preferências partidárias e “outros dados sensíveis”. Trump classificou o caso como um “pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral”.
O presidente americano também afirmou que a China influenciou as eleições legislativas de 2018, quando os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes.
Trump acusou ainda o regime comunista chinês de usar contatos com empresas americanas para mobilizá-las “contra” seu governo e para “identificar jornalistas americanos para que escrevessem mais artigos negativos a seu respeito”.
Ainda durante o discurso, o republicano disse também que pretende solicitar ao FBI a abertura de uma investigação sobre a interferência das China nas eleições.
Um relatório desclassificado da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, divulgado em 2021, concluiu que a China avaliou a possibilidade de influenciar o resultado da eleição de 2020, mas decidiu não agir por considerar que a iniciativa poderia prejudicar as relações entre os dois países. O documento, porém, registrou que havia divergências entre as agências de inteligência, com parte dos analistas defendendo que Pequim efetivamente realizou ações de influência.
Na ocasião, o então oficial nacional de inteligência para assuntos cibernéticos avaliou que a China adotou “pelo menos algumas medidas para minar as chances de reeleição do ex-presidente Trump, principalmente por meio de redes sociais, declarações públicas oficiais e da mídia”, conforme registrado na avaliação da comunidade de inteligência.
As declarações de Trump ocorrem dois meses após sua viagem à China para se reunir com o ditador comunista Xi Jinping e às vésperas de uma visita oficial do líder chinês à Casa Branca, prevista para o fim de setembro.
Durante o discurso, Trump também afirmou que pretende adotar medidas para reforçar a segurança das eleições legislativas marcadas para novembro. Sem detalhar as ações, disse que o seu governo ajudará autoridades locais a fortalecer seus sistemas eleitorais.
Nesta manhã (17), o governo chinês rejeitou as acusações de Trump. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, classificou as declarações do norte-americano como “pura invenção”.
“São puras invenções e calúnias maliciosas que há muito tempo já se demonstrou serem infundadas”, afirmou Lin durante entrevista coletiva. “A China não tem qualquer interesse nas eleições dos EUA e nunca interferiu nelas”, continou o porta-voz.
Segundo ele, “a comunidade internacional vê com muita clareza quem é que habitualmente interfere nos assuntos internos de outros países”.
“Instamos a parte americana a refletir sobre suas próprias ações, deixar de difamar a China sem fundamento, abster-se de transformar a China em tema de suas eleições e fazer mais para beneficiar as relações entre China e EUA”, completou Lin.
