Auditoria TCE: erro grosseiro Rui Costa compra respiradores
Brasília, Terça, 14 de julho de 2026
Justiça

Auditoria do TCE aponta “erro grosseiro” de Rui Costa em compra de respiradores

Relatório recomenda rejeição das contas de 2020 e aponta falhas na compra de R$ 48,7 milhões durante a pandemia

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Redação

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) concluiu que houve “erros administrativos grosseiros” na compra de respiradores realizada pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia de Covid-19 e recomendou a rejeição das contas de 2020 do então presidente da entidade, Rui Costa (PT), ex-governador da Bahia. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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O parecer, que ainda será analisado pelo plenário da Corte, aponta Rui Costa e o então secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, como responsáveis pelas irregularidades identificadas. Segundo os auditores, ambos poderão ser chamados a ressarcir os cofres públicos pelos R$ 48,7 milhões pagos antecipadamente à empresa Hempcare, que não entregou os 300 respiradores contratados.

A decisão final sobre a aprovação ou rejeição das contas caberá à Assembleia Legislativa da Bahia, após a conclusão do julgamento no TCE-BA.

Falhas na contratação

De acordo com a auditoria, a contratação foi realizada sem que houvesse verificação suficiente da capacidade técnica, financeira e operacional da Hempcare.

O relatório destaca que a empresa possuía capital social de apenas R$ 100 mil, valor equivalente a cerca de 0,2% do contrato firmado, havia sido criada poucos meses antes da negociação e não possuía registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercializar equipamentos médicos.

Os técnicos também afirmam que o contrato continha cláusulas consideradas frágeis e que o pagamento antecipado foi autorizado sem a adoção das cautelas recomendadas pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), como estimativa prévia de preços e apresentação de certidões negativas.

Na avaliação da equipe de auditoria, houve “evidente descuido” na análise dos riscos da operação.

O parecer afirma ainda que foram constatados “erros administrativos grosseiros no manejo dos recursos públicos”, ao apontar que a empresa foi aceita como intermediária de uma importação internacional sem experiência comprovada no setor.

Outras irregularidades

Além da compra dos respiradores, a auditoria identificou falhas contábeis, problemas em contratos, inconsistências em processos de contratação, ausência de transparência e deficiências nos controles internos do Consórcio Nordeste entre janeiro e setembro de 2020.

O documento recomenda que o consórcio continue adotando medidas para recuperar os R$ 48,7 milhões desembolsados à Hempcare.

A compra dos respiradores também é alvo de investigação da Polícia Federal e de inquérito em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob sigilo.

Defesa

Rui Costa não comentou o conteúdo da auditoria.

Nos autos do processo, a defesa do ex-governador sustenta que a aquisição ocorreu em um contexto excepcional de emergência sanitária e escassez mundial de equipamentos hospitalares durante a pandemia.

Os advogados afirmam ainda que a contratação foi aprovada de forma colegiada pelos governadores que integravam o Consórcio Nordeste e defendem que não houve dolo nem erro grosseiro na condução do processo. Segundo a manifestação, a administração adotou providências para tentar recuperar os recursos após o descumprimento do contrato.

A defesa de Carlos Gabas também negou qualquer irregularidade, alegando ausência de má-fé e destacando que o Consórcio Nordeste ainda enfrentava limitações estruturais em seu primeiro ano de funcionamento.

Em paralelo, o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou, em abril de 2025, o processo envolvendo Rui Costa e Carlos Gabas, mas determinou a abertura de uma tomada de contas especial para buscar o ressarcimento dos valores pagos à Hempcare. Enquanto isso, as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo STJ seguem em andamento.

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