O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, negou que tenha desviado emendas parlamentares e disse que sabe que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino “sabe” que todas as verbas de deputados e senadores de seu partido foram destinadas de maneira correta. A declaração foi feita há pouco em entrevista ao programa ALive, do jornalista Claudio Dantas.
Valdemar tornou-se alvo, na semana passada, de investigação da Polícia Federal (PF) que apura supostas irregularidades na indicação de emendas parlamentares. Segundo a corporação, ele teria influenciado a destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato no Congresso.
Com base nos supostos “indícios” apresentados pela PF, Dino determinou a suspensão das emendas e o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL.
De acordo com Valdemar, o ministro do Supremo deve imaginar que a presidência do PL tem uma “cota” para indicar emendas, o que ele nega. Segundo o cacique partidário, seu papel é apenas receber parlamentares novos que têm dúvidas sobre a destinação de verbas e também ouvir prefeitos. Ele próprio não tem comando ou liderança sobre as emendas, apenas faz sugestões para atender demandas.
As emendas, segundo o presidente do PL, não foram destinadas a associações nem a qualquer outro local “que deixe dúvida”. Disse ainda que, se tivesse cometido alguma irregularidade, “estava morto” e que, se tivesse feito algum pedido de indicação, seria para “prefeitura que precisa”, já que muitas não “têm condições [de sustento financeiro por falta de verba]”.
O presidente do PL também negou ter R$ 119 milhões, valor determinado por Dino para bloqueio: “Nem que eu acerte duas vezes na Mega-Sena sozinho eu faço esse dinheiro. Não existe isso”.
Valdemar disse ainda que é comum caciques partidários e presidentes de partidos orientarem, e não determinarem, o destino de emendas. “Isso não tem nada de irregular”, afirmou.
