TSE propõe selo para avaliar precisão pesquisas eleitorais
Brasília, Terça, 14 de julho de 2026
Justiça

TSE propõe selo para avaliar precisão de pesquisas eleitorais após as eleições

Proposta apresentada por Kassio Nunes Marques ficará aberta a sugestões até 17 de julho

Sede do TSE. Foto: Luiz Roberto/TSE

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Por Redação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou nesta terça-feira (14) uma proposta para criar o Selo Acurácia Eleitoral, iniciativa que pretende reconhecer os institutos de pesquisa cujas estimativas apresentem maior proximidade com os resultados oficiais das eleições.

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A proposta foi debatida em reunião com representantes de empresas do setor e permanecerá aberta para sugestões até a próxima sexta-feira (17). Após esse período, a Presidência do TSE deverá decidir sobre a edição da portaria que regulamentará o selo.

Por se tratar de uma portaria, a medida poderá ser adotada diretamente pela Presidência da Corte, sem necessidade de votação pelo plenário. Ainda não há definição se a iniciativa poderá valer já nas eleições de 2026 ou apenas a partir do próximo ciclo eleitoral, caso seja aplicado o princípio da anualidade.

Segundo Nunes Marques, a proposta busca incentivar o aperfeiçoamento das metodologias utilizadas pelos institutos e ampliar a confiança da sociedade nas pesquisas eleitorais.

“O eleitorado brasileiro atribui significativo valor às informações produzidas pelas pesquisas, que possuem impacto efetivo no engajamento desse processo”, afirmou o ministro durante a reunião.

Critérios previstos

Pela minuta apresentada, o selo terá caráter honorífico e será concedido às empresas que alcançarem índices de acurácia definidos em regulamento específico. A avaliação considerará apenas pesquisas registradas no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) e efetivamente divulgadas ao público.

A proposta prevê duas categorias de premiação: pesquisas de boca de urna e levantamentos divulgados nos sete dias anteriores ao pleito. O texto também estabelece que institutos condenados, por decisão judicial transitada em julgado, por fraude ou irregularidades graves em pesquisas eleitorais ficarão impedidos de receber o reconhecimento.

O documento ressalta que a concessão do selo não representará uma certificação oficial da qualidade metodológica das empresas nem criará qualquer vantagem perante a administração pública.

Institutos apresentam ressalvas

Durante a reunião, representantes de diversos institutos, entre eles Datafolha, PoderData, Quaest, Ipsos, Ipespe e MDA, manifestaram preocupação com a criação de um mecanismo de premiação. Na avaliação das empresas, o selo pode gerar distorções sobre a finalidade das pesquisas eleitorais.

Também houve questionamentos sobre os critérios de exclusão previstos na proposta e sobre a utilização de novas metodologias. A AtlasIntel defendeu que recursos como vídeos e imagens em questionários fazem parte da evolução das pesquisas e não deveriam ser restringidos pelas normas da Justiça Eleitoral.

Outro tema debatido foi o autofinanciamento dos levantamentos. Representantes do setor defenderam maior transparência na identificação dos contratantes das pesquisas, enquanto outros argumentaram que o modelo permite que institutos menores ampliem sua participação no mercado.

A discussão ocorre em meio ao julgamento, ainda suspenso no TSE, sobre a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel relacionada ao caso envolvendo o filme Dark Horse. O processo foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha.

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