IPCA desacelera 0,16% em junho, conta de luz mantém pressão
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
Economia

IPCA desacelera para 0,16% em junho, mas conta de luz mantém pressão sobre a inflação

Dados do IBGE mostram que queda dos alimentos ajudou a conter o avanço dos preços

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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Por Redação

A inflação oficial do país perdeu ritmo em junho, mas a energia elétrica continuou pesando no bolso dos brasileiros. Dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,16% no mês, após registrar 0,58% em maio.

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Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,36% no primeiro semestre e de 4,64% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,72% registrados até maio, mas ainda acima do centro da meta de inflação.

A desaceleração foi impulsionada, principalmente, pela queda dos preços dos alimentos, enquanto a conta de energia elétrica permaneceu como o principal fator de pressão sobre o índice.

Conta de luz lidera alta

O grupo Habitação registrou a maior variação do mês, com alta de 0,63%, respondendo pelo maior impacto sobre a inflação de junho.

Embora a energia elétrica residencial tenha desacelerado em relação ao mês anterior — passando de 3,67% para 1,53% —, ela continuou sendo o item que mais pressionou o IPCA.

Segundo o IBGE, a manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, além dos reajustes autorizados para distribuidoras em cidades como Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte, contribuíram para manter as contas de luz em alta.

Alimentos ajudam a conter inflação

Depois de liderarem a alta da inflação em maio, os alimentos apresentaram queda em junho e ajudaram a reduzir o índice geral.

O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24%, enquanto os alimentos consumidos dentro de casa ficaram 0,39% mais baratos.

Entre as principais reduções de preços estão:

  • Café moído: -3,72%;
  • Frutas: -1,58%;
  • Carnes: -0,64%.

Nem todos os produtos, porém, ficaram mais baratos. O feijão-carioca subiu 8,31%, enquanto a batata-inglesa registrou alta de 3,57%.

A alimentação fora do domicílio também perdeu força, com alta de 0,15%, abaixo dos 0,49% observados em maio.

Passagens aéreas sobem; combustíveis recuam

O grupo Transportes avançou 0,17% no mês. O principal destaque foi o aumento de 7,12% nas passagens aéreas.

Em sentido contrário, os combustíveis ficaram mais baratos:

  • Etanol: -3,09%;
  • Óleo diesel: -1,19%;
  • Gasolina: -0,12%;
  • Gás veicular: -0,19%.

Apesar da queda em junho, a gasolina ainda acumula alta de 6,37% no primeiro semestre, segundo o IBGE.

Brasília teve a maior inflação do país

Entre as capitais pesquisadas, Brasília registrou a maior inflação de junho, com alta de 0,52%, impulsionada principalmente pelo aumento das passagens aéreas e da gasolina.

Já Recife apresentou a menor variação do país (-0,04%), influenciada pela queda dos preços do tomate e dos combustíveis.

Outros grupos

Além da Habitação, os maiores aumentos foram registrados em:

  • Despesas pessoais: 0,25%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
  • Artigos de residência: 0,23%.

Já o grupo Educação apresentou leve recuo de 0,02%.

O resultado de junho representa a menor inflação mensal desde o início do ano, mas o acumulado de 3,36% no primeiro semestre é o maior para o período desde 2022, indicando que, apesar da desaceleração recente, a pressão sobre os preços ainda permanece elevada.

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