Justiça bloqueia R$ 227 mil de ex-mulher de Bolsonaro
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
Justiça

Justiça bloqueia R$ 227 mil de ex-mulher de Bolsonaro

Ana Cristina Valle terá de devolver recursos do Fundo Eleitoral após rejeição das contas da campanha de 2022

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Por Redação

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil de Ana Cristina Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após ela não devolver, no prazo estabelecido, recursos do Fundo Eleitoral utilizados na campanha de 2022 cuja restituição havia sido determinada pela Corte. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (10) pelo jornalista Daniel Gullino, da revista Veja.

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Caso o valor não seja localizado em contas bancárias, a cobrança poderá alcançar veículos e imóveis registrados em nome de Ana Cristina.

Ela concorreu ao cargo de deputada distrital pelo PP nas eleições de 2022, recebeu 1.485 votos e não foi eleita. Em 2025, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) rejeitou, por unanimidade, as contas de campanha, acompanhando parecer do Ministério Público Eleitoral.

Ao apresentar o voto, o relator do processo, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, afirmou que as irregularidades atingiram praticamente todas as despesas da campanha. Entre os apontamentos estão gastos com militância, mobilização de rua, alimentação, combustível, criação de páginas na internet, impulsionamento de conteúdo, locação de bens e contratação de terceiros sem notas fiscais ou documentação considerada idônea.

Segundo o magistrado, a candidata não apresentou documentos nem justificativas capazes de sanar as inconsistências identificadas. “A ausência de cooperação da candidata com a Justiça Eleitoral demonstra um descaso com o dever de transparência e com a correta aplicação do dinheiro público”, declarou.

Ana Cristina Valle é mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), que anunciou pré-candidatura à Câmara dos Deputados. Ela também foi chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro entre 2001 e 2008.

O nome de Ana Cristina também apareceu em investigações relacionadas ao caso das rachadinhas envolvendo gabinetes ligados à família Bolsonaro. Em 2020, reportagem da revista Época informou que ela adquiriu 14 imóveis entre 1997 e 2008, período em que foi casada com Jair Bolsonaro, sendo que cinco teriam sido pagos em dinheiro. Na ocasião, a defesa afirmou que ela não cometeu irregularidades e contestou as informações publicadas.

A reportagem procurou Ana Cristina Valle para comentar a decisão, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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