Múcio discute combate ao narcotráfico com representante da Defesa dos EUA
Brasília, Quinta, 09 de julho de 2026
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Múcio discute combate ao narcotráfico com representante da Defesa dos EUA

Encontro ocorreu no Peru após Washington classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

José Múcio
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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Por Redação

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reuniu-se nesta quarta-feira (8) com o subsecretário de Defesa para Assuntos de Política dos Estados Unidos, Elbridge Colby, durante a XVII Conferência de Ministros de Defesa das Américas (CMDA), realizada no Peru.

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Segundo o Ministério da Defesa, o encontro foi solicitado pelo governo norte-americano e teve como um dos principais temas a cooperação entre os dois países no combate ao narcotráfico.

De acordo com a pasta, a reunião ocorreu em “clima de cordialidade e com convergência de opiniões”.

EUA defendem parceria com o Brasil

Em nota, o Ministério da Defesa informou que representantes dos Estados Unidos manifestaram interesse em ampliar a cooperação regional contra organizações criminosas.

Segundo o governo brasileiro, os norte-americanos afirmaram que buscam parceiros no continente para fortalecer o enfrentamento ao narcotráfico e consideram o Brasil um potencial aliado.

Ainda conforme a nota, José Múcio demonstrou interesse na cooperação e explicou que o combate ao narcotráfico é atribuição do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ministro também apresentou ações desenvolvidas pelas Forças Armadas nas regiões de fronteira.

Encontro ocorre após decisão dos EUA

A reunião ocorreu pouco mais de um mês depois de o governo do presidente Donald Trump classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como “organizações terroristas estrangeiras” e “terroristas globais especialmente designados”.

A medida entrou em vigor em 5 de junho.

Ao anunciar a decisão, o Departamento de Estado afirmou que as duas facções figuram entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e atribuiu aos grupos atuação internacional, ataques contra agentes públicos e participação em atividades ligadas ao crime organizado.

Na ocasião, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que a atuação das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras.

“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas.”

Sanções e reação diplomática

Na semana passada, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa por suposta ligação com o PCC.

Dias depois, uma manifestação encaminhada pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados mencionou o risco de uma eventual ação militar norte-americana após a classificação das facções como organizações terroristas.

O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, motivou a aprovação de uma convocação do ministro pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Em resposta, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurda” a interpretação de que a medida adotada por Washington poderia abrir espaço para uma ação militar em território brasileiro e afirmou que as providências tomadas seguem a legislação norte-americana voltada ao combate ao crime organizado transnacional.

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