Lula indica único homem de lista com maioria feminina
Brasília, Quinta, 09 de julho de 2026
Política

Lula indica único homem de lista com maioria feminina para o TST

Escolha de Sergio Torres Teixeira mantém sequência de indicações masculinas para tribunais superiores

Globo recebeu quase R$ 270 mi de publicidade em 3,5 anos de Lula
Foto: Reprodução/JN

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Lula indicou o desembargador Sergio Torres Teixeira, do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (PE), para ocupar a vaga aberta no Tribunal Superior do Trabalho (TST) com a aposentadoria da ministra Dora Maria da Costa. A escolha recaiu sobre o único homem da lista tríplice encaminhada ao Palácio do Planalto, formada por duas desembargadoras e um desembargador.

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A indicação foi publicada no Diário Oficial da União e ainda depende de aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e do plenário do Senado.

A lista tríplice foi definida pelo Pleno do TST em 27 de maio de 2026.

Os nomes encaminhados ao presidente eram:

  • Maria de Nazaré Medeiros Rocha, desembargadora do TRT da 8ª Região (PA/AP);
  • Sergio Torres Teixeira, desembargador do TRT da 6ª Região (PE);
  • Herminegilda Leite Machado, desembargadora do TRT da 13ª Região (PB).

Maria de Nazaré ficou em primeiro lugar na votação interna do tribunal. Sergio Torres foi o segundo mais votado. Herminegilda apareceu em terceiro.

Com a escolha de Sergio Torres, a vaga deixada por uma ministra passa a ser ocupada por um magistrado.

Sergio Torres Teixeira, desembargador. Foto: Reprodução

Histórico reacende debate

A indicação ocorre em meio ao debate sobre a participação feminina nos tribunais superiores durante o terceiro mandato de Lula.

Em 2023, o presidente teve duas vagas para preencher no Supremo Tribunal Federal. A primeira foi ocupada por Cristiano Zanin, na vaga aberta com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski.

Na sequência, Lula indicou Flávio Dino para substituir a ministra Rosa Weber.

Com a mudança, o Supremo passou a contar com apenas uma mulher entre os onze ministros: Cármen Lúcia.

No Superior Tribunal de Justiça, aposentadorias de ministras também abriram espaço para novas indicações. A advogada Daniela Teixeira foi uma das mulheres escolhidas pelo presidente, mas o tema da representatividade feminina permaneceu em debate durante as sucessivas nomeações.

Declarações de Lula

Questionado em diferentes momentos sobre a pressão para indicar mulheres aos tribunais superiores, Lula afirmou que o critério adotado seria a qualificação técnica.

Na sucessão de Rosa Weber, declarou:

“Eu estarei criando um compromisso que eu não quero criar agora, se vai ser negro, se vai ser negra, se vai ser mulher… O critério será uma pessoa altamente gabaritada do ponto de vista jurídico e que tenha compreensão do mundo social.”

Em outra ocasião, ao comentar a participação feminina na política, o presidente afirmou:

“Não é que não tenha [mulheres]. É que a oferta é menor na medida em que, embora sejam a maioria da população, não tiveram uma participação política histórica mais contundente.”

Mulheres perderam espaço também na Esplanada

O debate sobre representatividade não ficou restrito ao Judiciário.

Ao assumir o terceiro mandato, Lula anunciou um número recorde de ministras na Esplanada. Reformas ministeriais posteriores alteraram essa composição.

Entre as mudanças, Daniela Carneiro deixou o Ministério do Turismo para a entrada de Celso Sabino. No Ministério do Esporte, Ana Moser foi substituída por André Fufuca. Na presidência da Caixa Econômica Federal, Rita Serrano deu lugar a Carlos Antônio Vieira Fernandes.

Em outros casos, mulheres permaneceram ou assumiram cargos, como ocorreu com a nomeação de Macaé Evaristo para o Ministério dos Direitos Humanos.

Próximos passos

Antes de tomar posse no Tribunal Superior do Trabalho, Sergio Torres Teixeira será submetido à sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Se aprovado pela CCJ, seu nome seguirá para votação no plenário da Casa. Somente após essa etapa ocorrerá a nomeação definitiva para o cargo de ministro do TST.

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