O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou há pouco, em live nas redes sociais, que sua missão nos Estados Unidos é “proteger o Brasil das tarifas” e “proteger o Brasil do Lula”. Ontem (07), o parlamentar discursou em audiência pública promovida pelo governo Trump sobre a proposta de aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A proposta foi recomendada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que sustenta que práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem o comércio” norte-americano.
Segundo Flávio, ele decidiu permanecer mais um dia nos EUA “para fazer algumas conversas que vão ser importantes para tentar, mais uma vez, influenciar aqui o governo americano para que as empresas, os produtos brasileiros não sejam tarifados”.
Ao comentar sua participação na audiência, o senador afirmou que “todo mundo está vendo o vexame que o Lula está sendo na parte internacional” no caso das tarifas. O governo petista (PT) optou por não participar da audiência e acompanhou a sessão apenas como observador. “[Lula é] alguém que a todo momento ataca os Estados Unidos, faz questão de dizer que é anti-americano”.
“Vocês vão se lembrar que lá atrás ele [Lula] dizia que se o Trump fosse eleito presidente dos Estados Unidos ia ser um novo fascismo no mundo”, relembrou Flávio.
Segundo o senador, Lula coloca sua ideologia “acima dos interesses do povo brasileiro”. O petista, de acordo com ele, “a todo momento lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos”: “Um presidente da República tem que pensar no seu povo, tem que negociar com todo mundo, com os Estados Unidos ou com China”.
Flávio afirmou que a audiência foi um “dia importante” para o Brasil e disse ter apresentado uma defesa técnica e política, “tentando usar argumentos que vão sensibilizar o governo americano”, que, segundo ele, demonstra “preocupação com” a relação do Brasil com a China.
“Eu tentei explicar: ‘Olha, se vocês impuserem mais uma vez uma tarifa de 25%, ainda que não seja de 50%, mas de 25%, que é muito alta, qual vai ser a consequência disso? Vocês vão acabar fortalecendo a China, que é com quem os Estados Unidos competem hoje, que querem ter a hegemonia com relação à potência comercial do mundo, então a gente tem que tentar explorar essas coisas'”, afirmou o senador.
Flávio disse ainda que, quando esteve pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou: “‘Olha, as empresas brasileiras já são as mais tarifadas do mundo, a gente tem governando o país alguém que é do PT, o partido dos taxadores'”.
“As empresas brasileiras já não aguentam mais tantos impostos, se acontecer isso [tarifaço dos EUA], vai quebrar empresas brasileiras, vai aumentar o preço dos produtos que forem tarifados para os próprios consumidores americanos, então a conversa girou muito em torno disso, gente, e vários argumentos técnicos foram colocados ali”, continuou.
O senador afirmou ainda que defendeu o Pix, destacando que o sistema foi criado no governo Bolsonaro e “incluiu dezenas de milhões de brasileiros, principalmente os mais pobres” no “sistema formal da economia”. Segundo ele, isso “beneficiou também os consumidores em algumas empresas americanas”, já que muitos cartões utilizam bandeiras dos Estados Unidos.
Ao abordar o aspecto político que abordou na audiência, Flávio afirmou que participou como “agente político”, “senador da República no Brasil” e “pré-candidato à Presidência da República”: “Então eu tô aqui para falar politicamente o seguinte: ‘Hoje existe na presidência da República alguém que é anti Estados Unidos, que é o Lula, alguém que a todo momento agride os Estados Unidos, ele tem a ideologia dele anti-americana'”.
O senador disse ainda que afirmou aos norte-americanos que “daqui a 87 dias teremos eleições para presidente no Brasil, e pode ser que o cenário mude”: “Então o que eu pedi: ‘Olha, cancela essa tarifa, cancela porque a partir de janeiro do ano que vem, pode ser que exista um presidente da República'” alinhado ao conservadorismo e aos EUA.
“Acredito que terá, porque o PT acabou, ninguém aguenta mais esse cara. Todos nós que vamos ao supermercado, estamos vendo que o nosso dinheiro não enche mais um carrinho, tá caro pra cacete fazer compra, todo mundo, tanto para os mais pobres, para os mais ricos, tá todo mundo sentindo o peso no bolso da inflação que chegou com o governo Lula, é recessão, esse cara conseguiu destruir a economia do Brasil”, criticou Flávio.
“Eu vou fazer minha parte [sendo contra as tarifas], só que o Lula é um mentiroso, o Lula é uma pessoa que não cumpre acordos, e na minha percepção, o governo americano percebeu isso”, continuou. “Gente, é óbvio que o Trump olha pro Brasil hoje, e enxerga que tem sentado na cadeira de presidente da República alguém com má vontade, alguém incompetente, alguém que tem um governo corrupto”.
Flávio também afirmou que sentiu “falta” de outros pré-candidatos à Presidência que também tivessem se inscrito na audiência pública dos EUA “pra vir aqui defender os interesses do povo brasileiro”. Disse ainda que, daqui para frente, “vai ser um período tão importante e tão decisivo pra gente, pro Brasil, pras próximas gerações, pras próximas décadas”.
“A decisão que o Brasil vai tomar em outubro vai ser um grande divisor de águas, eu quero acreditar que todos os brasileiros vão escolher o caminho da prosperidade, e não seguir no caminho das trevas, como a gente tá vendo hoje”, continuou. “O Brasil tem futuro sim, vem com fé!”, finalizou Flávio.
