O ex-deputado federal cassado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, afirmou neste domingo (5), nos Estados Unidos, que acredita não haver possibilidade de ser extraditado ao Brasil.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, Ramagem declarou que permanece em território norte-americano enquanto aguarda a análise de seu pedido de asilo político.
As declarações foram dadas à CNN Brasil antes da partida entre Brasil e Noruega, disputada em Nova Jersey. Segundo ele, o processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro e o pedido de asilo seguem em tramitação simultaneamente.
“Estamos em segurança, lutando pelo nosso Brasil aqui nos Estados Unidos”, afirmou. Em seguida, disse acreditar que a extradição “não vai acontecer” e acusou autoridades brasileiras de tentarem promover sua deportação de forma irregular. “Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, tentaram me deportar clandestinamente”, declarou.
Ramagem voltou a negar as acusações que motivaram sua condenação e sustentou que o processo judicial teria caráter de perseguição política. Segundo ele, a investigação sobre a suposta trama golpista foi criada para atingir lideranças da direita e impedir sua atuação política.
Durante a entrevista, o ex-diretor da Abin também comentou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo por liderar a tentativa de golpe de Estado. Ramagem classificou o cenário enfrentado pelo ex-chefe do Executivo como de alguém “preso, sequestrado e censurado”.
Ao ser questionado sobre uma eventual volta ao Brasil, Ramagem vinculou esse retorno ao resultado das eleições presidenciais de 2026. Segundo ele, a expectativa é de uma mudança no comando do país em 2027. Na entrevista, mencionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Condenação e fuga
Condenado pela Primeira Turma do STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, Alexandre Ramagem deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana após a sentença. Segundo a Polícia Federal (PF), ele entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático e passou a ser considerado foragido da Justiça brasileira.
Em abril deste ano, Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), na Flórida, por permanecer no país com o visto vencido. Ele foi solto dois dias depois e aguarda a análise de seu pedido de asilo. Além da condenação criminal, o ex-deputado também perdeu o mandato na Câmara por faltas consecutivas.
