MPF abre inquérito para apurar concurso da OpenAI na Amazônia
Brasília, Segunda, 06 de julho de 2026
Justiça

MPF abre inquérito para apurar concurso da OpenAI na Amazônia

Competição oferecia prêmio de até US$ 250 mil para localizar novos sítios arqueológicos com uso de inteligência artificial

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para investigar a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, por causa do concurso “OpenAI to Z Challenge”, iniciativa que oferecia premiação de até US$ 250 mil para participantes que identificassem novos sítios arqueológicos na Amazônia utilizando ferramentas de inteligência artificial.

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A investigação foi aberta após manifestações de órgãos públicos e entidades ligadas à arqueologia que questionaram a compatibilidade da competição com a legislação brasileira de proteção ao patrimônio cultural.

Os supostos riscos ao patrimônio arqueológico

Entre os principais questionamentos apresentados ao MPF está o risco de divulgação de coordenadas de áreas ainda não protegidas oficialmente, o que poderia facilitar saques, vandalismo e outras formas de exploração ilegal.

O Ministério Público também afirma que o projeto teria estimulado a utilização de trabalho voluntário para alimentar modelos de inteligência artificial em uma iniciativa que, segundo o órgão, se aproximaria de uma “busca por tesouros” em vez de pesquisa científica convencional.

Outro ponto levantado durante a apuração é a alegação de que comunidades indígenas e tradicionais não teriam sido consultadas sobre o uso de informações relacionadas aos seus territórios.

Iphan acompanha o caso

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que encaminhou pareceres técnicos ao MPF e buscou esclarecimentos junto à OpenAI.

Segundo o instituto, a preocupação está na forma como o concurso foi estruturado, ao incentivar pessoas sem autorização legal ou habilitação profissional a identificar possíveis sítios arqueológicos.

“O Iphan acompanha o tema de perto e já enviou manifestações ao Ministério Público Federal e buscou contato institucional com a organizadora do evento para obter esclarecimentos sobre o tratamento dos dados sensíveis a respeito dos novos sítios arqueológicos e a compatibilidade da iniciativa com a legislação e as normas brasileiras de proteção ao patrimônio cultural”, informou o órgão.

O instituto ressaltou que não se opõe ao uso de inteligência artificial em pesquisas arqueológicas, desde que as ferramentas sejam utilizadas dentro das normas legais e técnicas aplicáveis.

AGU também solicitou esclarecimentos

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que expediu uma notificação extrajudicial à OpenAI para solicitar informações sobre o concurso.

De acordo com a AGU, os esclarecimentos encaminhados pela empresa foram enviados ao Iphan para análise técnica e o procedimento permanece em andamento.

OpenAI diz que colaborou com autoridades

Em nota, a OpenAI afirmou que desenvolve inteligência artificial de forma responsável e informou que vem colaborando com as autoridades brasileiras.

Segundo a empresa, o concurso utilizou exclusivamente dados públicos e não incentivou qualquer acesso físico a áreas protegidas.

“Levamos questionamentos dessa natureza a sério e temos colaborado com as autoridades locais, para fornecer informações relevantes sobre o projeto. O ‘OpenAI to Z Challenge’ foi uma iniciativa online que utilizou IA e dados disponíveis publicamente para apoiar a pesquisa científica. A iniciativa não envolveu nem incentivou o acesso físico a áreas protegidas”, afirmou a empresa.

Concurso foi lançado em 2025

A competição foi anunciada em maio de 2025 com o objetivo de utilizar inteligência artificial para localizar possíveis sítios arqueológicos ainda desconhecidos na Amazônia.

A iniciativa acabou motivando questionamentos da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), do Iphan e da AGU, que defenderam a necessidade de observar as normas brasileiras para pesquisas arqueológicas e proteção do patrimônio histórico antes da realização de projetos desse tipo.

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