Andrei Rodrigues diz que sanção dos EUA prejudicou operação contra PCC
Brasília, Sexta, 03 de julho de 2026
Brasil

Andrei Rodrigues diz que sanção dos EUA prejudicou operação contra PCC

Andrei Rodrigues afirma que divulgação antecipada das sanções obrigou a Polícia Federal a antecipar a Operação Exchange e dificultou a prisão de Victor Shimada

De acordo com o diretor-geral, a PF adota protocolos rígidos para evitar questionamentos futuros sobre a validade do processo.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Por Redação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou hoje (3) que a divulgação das sanções impostas pelos Estados Unidos a pessoas e empresas brasileiras alterou o planejamento da Operação Exchange e comprometeu o resultado esperado da ação. Segundo ele, a corporação precisou antecipar a operação, o que dificultou a localização do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, investigado por suposta ligação com uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Durante encontro com jornalistas, em Brasília, Andrei declarou que a antecipação ocorreu após o anúncio das sanções pelo Departamento do Tesouro dos EUA, divulgado na última quarta-feira (1º).

“[A sanção dos EUA] alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro, a gente teria localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação”, afirmou.

Shimada é considerado foragido e figura entre os alvos da Operação Exchange. Para as autoridades norte-americanas, ele seria o “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Segundo o governo dos Estados Unidos, o empresário teria lavado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas por meio de operações com criptomoedas destinadas ao financiamento da facção no Brasil.

Além da lavagem de dinheiro, o comunicado americano também atribui ao empresário participação em outros crimes financeiros.

Operação prendeu outra alvo das sanções

Apesar de não localizar Shimada, a Polícia Federal prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também incluída na lista de sanções anunciada pelos Estados Unidos.

Segundo as investigações, Stella seria parente de Shimada e atuaria como responsável pelo suporte logístico da organização. As autoridades americanas afirmam que ela exercia funções de secretária do empresário e intermediava a coleta de grandes quantias em dinheiro utilizadas nas operações financeiras do grupo.

Como funcionava o esquema

A Operação Exchange foi deflagrada nesta sexta-feira para desarticular uma organização especializada na lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados utilizavam uma estrutura composta por transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas para movimentar recursos.

As investigações também apontam que Victor Shimada utilizava o apelido “Japa”, enquanto Stella era identificada como “Lara Croft”. Conforme a apuração, ela coordenava a coleta dos valores e ele fazia a ligação entre operadores financeiros e integrantes do PCC.

Mandados e bloqueio de bens

A operação mobilizou equipes da Polícia Federal para cumprir 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Até a atualização mais recente, sete mandados de prisão haviam sido cumpridos.

A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.

Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das investigações.

Defesa

Em nota, o advogado Yuri Cruz, responsável pela defesa de Victor Shimada, afirmou que ainda não teve acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentam a operação.

Segundo o defensor, qualquer manifestação sobre o mérito das acusações seria prematura antes da análise dos autos. Em entrevista à TV Tribuna, ele acrescentou que Shimada é alvo de prisão temporária e informou que a possibilidade de apresentação voluntária às autoridades será avaliada.

“Isso passa também por uma decisão pessoal, mas é mais uma das hipóteses a serem avaliadas.”

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