Duas semanas após ser alvo da Polícia Federal e perder a Liderança do governo no Senado, Jaques Wagner recebeu um afago de Lula. Durante evento em Alagoinhas, na Bahia, o presidente chamou o ex-governador de “irmão”.
“Nem todo irmão é amigo, mas todo amigo é um irmão. Essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço e a ser o que eu sou”, disse.
O petista, porém, evitou citar o caso Master. O silêncio, inclusive, é a regra de ouro do PT desde a operação de busca e apreensão contra o ex-governador da Bahia.
Lula tampouco demonstrou constrangimento, posando ao lado de Wagner e também de Rui Costa, seu ministro da Casa Civil, também envolvido na origem do Credcesta e do próprio Master. Desde a operação de busca e apreensão contra Wagner, Lula tem mantido silêncio sobre o caso Master.
“Estamos firmes defendendo seu nome”
Antes da fala de Lula, Wagner discursou e também evitou comentar o inquérito da PF, se desdobrando em elogios ao presidente.
“Se tiver que sintetizar em uma palavra o sentimento dos baianos em relação ao senhor (Lula), a palavra é gratidão. Meu abraço carinhoso, estamos aqui firmes defendendo o seu nome, o seu projeto e vamos para cima porque esse ano é festa da democracia”, declarou.
Favorecimento ao Banco Master
Jaques Wagner é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de ter recebido vantagens indevidas para favorecer interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
Segundo as investigações, o parlamentar teria sido beneficiado com um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, além de supostos repasses financeiros relacionados à atuação em favor da instituição.
Durante o cumprimento de mandados de busca, agentes da PF também apreenderam cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil), 33 mil euros (R$ 196,3 mil) e 13 relógios em endereços ligados ao senador.
Embora o Palácio do Planalto tenha apresentado a troca de liderança como uma reorganização da articulação política, a mudança ocorreu em meio ao avanço das investigações. Para ocupar a função, Lula indicou a senadora Teresa Leitão (PT-PE).
