Estudo divulgado nesta terça-feira (23) pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) aponta que motoristas de aplicativos enfrentam maior risco de endividamento devido à instabilidade da renda, aos custos da atividade e à oferta de empréstimos pelas próprias plataformas.
Segundo o levantamento, mais de 1,7 milhão de pessoas trabalham por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços no Brasil. O estudo afirma que as empresas transferem aos trabalhadores os custos e os riscos da atividade, além de reterem entre 20% e 30% do valor das corridas pela intermediação com os clientes.
A pesquisa destaca ainda a oferta de empréstimos aos motoristas pelas plataformas. Os valores são descontados diretamente dos ganhos obtidos nas corridas, em parcelas que podem chegar a 30% da remuneração recebida. Para os pesquisadores, o modelo reproduz práticas de exploração em ambiente digital.
Produzido pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do TST, o estudo estima que os custos mensais da atividade superam R$ 5 mil. Os cálculos consideram um motorista que trabalha 22 dias por mês, com jornada diária de oito horas e velocidade média efetiva de 25 quilômetros por hora em áreas urbanas.
De acordo com o levantamento, os gastos chegam a R$ 5.566 para quem utiliza veículo próprio e a R$ 5.706 para quem trabalha com carro alugado. Entre as despesas consideradas estão combustível, manutenção, depreciação do veículo, seguros, tributos, internet móvel, multas e alimentação.
O estudo também aponta que a jornada média semanal dos trabalhadores de plataformas alcança 44,8 horas.
