Banco Central indica juros altos por mais tempo
Brasília, Terça, 23 de junho de 2026
Economia

Banco Central indica juros altos por mais tempo

Ata do Copom aponta piora nas expectativas de inflação, aumento da incerteza e convergência da meta apenas em 2028

Edifício-Sede do Banco Central do Brasil em Brasília
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Por Redação

O Banco Central do Brasil indicou que a política de juros deve permanecer restritiva por um período prolongado diante da piora das expectativas de inflação e do aumento das incertezas no cenário econômico. A avaliação consta da ata da 279ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23).

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No documento, o colegiado afirma que o ambiente atual exige uma “restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, após identificar uma nova piora na ancoragem das expectativas inflacionárias, especialmente no horizonte de médio e longo prazo.

Com isso, o BC passou a projetar que a inflação só deve convergir para a meta no primeiro trimestre de 2028. No cenário de referência, as estimativas apontam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,2% em 2026 e 3,7% no quarto trimestre de 2027 — ambos ainda acima do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Riscos

A autoridade monetária destacou que o balanço de riscos segue inclinado para cima, ou seja, com maior probabilidade de pressão inflacionária do que de alívio nos preços.

Entre os principais fatores de alta, o Copom cita a persistência da desancoragem das expectativas, a resiliência da inflação de serviços, a possibilidade de câmbio mais depreciado e um nível de demanda interna ainda acima da capacidade produtiva da economia.

Já entre os riscos de baixa estão uma desaceleração mais forte da atividade econômica no Brasil e no exterior, além de eventual queda nos preços de commodities.

Impacto na política monetária

A ata também reforça a preocupação com o cenário fiscal. O BC avalia que eventuais incertezas sobre a trajetória da dívida pública e um enfraquecimento no ritmo de reformas estruturais podem elevar a chamada taxa de juros neutra da economia.

Segundo o documento, esse ambiente reduz a eficiência da política monetária e aumenta o custo necessário para controlar a inflação. O colegiado ainda alerta que o aumento de crédito direcionado pode diminuir a potência da taxa Selic como instrumento de controle de preços.

Atividade econômica

No diagnóstico mais recente, o Copom observa uma retomada da atividade econômica, com aceleração no primeiro trimestre de 2026 e resiliência de setores ligados à renda.

O mercado de trabalho segue como ponto de atenção, com desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento dos rendimentos reais acima da produtividade, dinâmica que pode pressionar a inflação à frente.

Selic em 14,25%

Na última decisão, o Comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Apesar disso, o BC sinaliza cautela com o ritmo de flexibilização monetária e afirma que a estratégia atual busca equilibrar a convergência da inflação com a estabilidade da atividade econômica.

A autoridade também indicou que não descarta ajustes mais firmes na política de juros caso choques externos, como tensões geopolíticas ou mudanças no cenário de preços, exijam uma postura mais dura.

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