O BTG Pactual, de André Esteves, deve desistir da compra do Digimais após a operação da Polícia Federal (PF), deflagrada na manhã desta terça-feira (23), contra o banco do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A informação é da jornalista Raquel Landim, colunista do Estadão.
A transação está paralisada e dependia de uma injeção de capital do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), “que não deve mais acontecer”, segundo fontes ouvidas pela jornalista. Segundo essas fontes, o negócio “nunca chegou a ser assinado e ficou apenas em negociação”.
Em abril, o BTG anunciou acordo para compra do Digimais, condicionado a pré-requisitos, entre eles empréstimo do FGC e aporte do bispo Macedo.
A “solução de mercado”, segundo a jornalista, “era vista com bons olhos pelo Banco Central, já que o Digimais enfrentava problemas há tempos”. Bancos chegaram a avaliar o ativo, mas apenas o BTG avançou.
A Operação Miragem, deflagrada pela PF, apura supostas fraudes no Digimais. A Justiça bloqueou R$ 670 milhões de investigados, incluindo Macedo. A suspeita é uso de fundos de investimento para maquiar rombo bilionário.
Segundo a PF, as investigações tiveram como base relatórios do Banco Central (BC), que apontaram irregularidades na gestão da instituição.
O esquema envolvia manipulação de balanços e demonstrativos contábeis para ocultar a real situação financeira do banco e aparentar solvência. A prática teria permitido supervalorização de ativos e geração artificial de receitas de centenas de milhões.
A PF acusa o Digimais de replicar a tática usada pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, com uso da confiança dos depositantes no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo os investigadores, a direção do banco teria superavaliado ativos “mediante a emissão de títulos com rentabilidade desproporcionais aos indicadores de mercado”.
A investigação também aponta que as operações sob análise culminam na proposta de alienação do controle do Digimais ao BTG Pactual. Segundo os investigadores, trata-se de “uma transação de mercado que, segundo informações oriundas de fontes abertas, encontra-se estritamente condicionada à injeção estrutural de recursos por parte do FGC”.
