ANTT troca empresa investigada por contrato maior e mantém ligação com grupo alvo da PF
Brasília, Segunda, 22 de junho de 2026
Política

ANTT troca empresa investigada por contrato maior e mantém ligação com grupo alvo da PF

Substituição de prestadora de serviços terceirizados resultou em aumento de custos e repetição de suspeitas

Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT
Foto: Reprodução/ ANTT

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) substituiu uma empresa de terceirização de mão de obra investigada pela por outra companhia também citada em apurações sobre um suposto esquema de controle oculto de empresas. A mudança ocorreu em meio a uma elevação do valor contratual e a questionamentos sobre a continuidade de vínculos com o mesmo grupo empresarial investigado. As informações são do portal Metrópoles.

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A contratação de mão de obra terceirizada é uma prática adotada pela agência para atividades de apoio administrativo. Até 2024, cerca de 200 trabalhadores eram fornecidos à ANTT pela empresa R7 Facilities. A companhia passou a ser investigada no âmbito da Operação Dissímulo, deflagrada pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que apura suspeitas de fraude em licitações, falsidade ideológica e estelionato.

Segundo as investigações, o grupo seria comandado de forma indireta pelo policial civil aposentado e ex-deputado distrital Carlos Tabanez, que teria utilizado “laranjas” para ocultar a real propriedade das empresas envolvidas. Mesmo após a operação, a ANTT renovou o contrato com a R7 por mais um ano.

Meses depois, a agência abriu um novo processo licitatório para substituição da prestadora. A justificativa apresentada pela administração apontou falhas recorrentes na execução do contrato anterior, como interrupções nos serviços, atrasos no pagamento de trabalhadores e problemas no repasse de benefícios. Segundo a ANTT, essas ocorrências indicavam dificuldades da empresa em cumprir obrigações trabalhistas e manter a prestação regular dos serviços.

Na nova licitação, a vencedora foi a Esplanada Serviços Terceirizados, que também aparece nas investigações da Operação Dissímulo sob suspeita de integrar o mesmo conjunto empresarial atribuído ao grupo investigado pela PF e pela CGU. O contrato foi assinado no valor inicial de R$ 29,2 milhões.

Pouco tempo depois, o acordo passou por sucessivas alterações. Em uma delas, houve aumento de aproximadamente 16% no número de terceirizados, que passou de 189 para 220 funcionários, elevando o valor anual para cerca de R$ 34,5 milhões. Em ajustes posteriores, foram ampliadas despesas com deslocamentos aéreos e diárias, além da inclusão de novos postos de trabalho, chegando a 230 terceirizados.

Com as mudanças, o contrato alcançou o patamar de R$ 38,1 milhões por ano, segundo os dados mais recentes. O valor representa aumento expressivo em relação ao contrato anterior com a R7 Facilities, que custava cerca de R$ 25,7 milhões anuais. A média de gasto por funcionário também subiu, passando de aproximadamente R$ 143 mil para R$ 165 mil por ano.

A assinatura do novo contrato ocorreu sob a gestão do atual diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, que sucedeu Rafael Vitale, responsável pela renovação anterior com a R7 logo após a operação policial.

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