STF sorteia Nunes Marques para relatar ação de Flávio Bolsonaro contra Lula
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Justiça

STF sorteia Nunes Marques para relatar ação de Flávio Bolsonaro contra Lula

Senador acusa o presidente de ameaça e incitação ao crime após fala sobre “traidores da pátria”

Nunes Marques
Ministro Nunes Marques. Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado nesta quarta-feira (17) para relatar a notícia-crime apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Lula (PT). A ação pede a investigação do chefe do Executivo pelos supostos crimes de ameaça e incitação ao crime.

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O pedido foi protocolado no último dia 4 de junho e tem como base declarações feitas por Lula durante um evento realizado em Catalão (GO), dois dias antes. Na ocasião, o presidente criticou integrantes da família Bolsonaro e afirmou que os filhos do ex-presidente seriam “vendilhões da pátria” e “traidores”, ao comentar articulações junto a autoridades estrangeiras.

Durante o discurso, Lula fez referência ao episódio da Inconfidência Mineira e declarou: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”. Em seguida, questionou: “O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país?”.

Na representação enviada ao STF, a defesa de Flávio sustenta que a fala extrapolou o debate político e configurou uma forma de estímulo à violência contra ele e outros membros da família Bolsonaro. Segundo os advogados, o presidente teria incentivado a prática de homicídio por enforcamento ao associar os supostos “traidores da pátria” ao exemplo histórico mencionado no discurso.

A controvérsia também chamou atenção por um equívoco histórico. Ao citar o episódio da Inconfidência Mineira, Lula atribuiu a Joaquim Silvério dos Reis uma punição que, na realidade, foi aplicada a Tiradentes. Historiadores apontam que Tiradentes foi executado pela Coroa Portuguesa em 1792, enquanto Silvério dos Reis, responsável por denunciar o movimento, recebeu benefícios em troca da delação.

Com a distribuição do processo, caberá agora a Nunes Marques analisar os argumentos apresentados pela defesa do senador e definir os próximos passos da tramitação. Entre as possibilidades estão o encaminhamento do caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação, a solicitação de informações adicionais ou o eventual arquivamento da notícia-crime.

A distribuição ocorreu por sorteio eletrônico. Nunes Marques foi indicado ao STF em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro. A notícia-crime, por si só, não implica a abertura automática de investigação, servindo como instrumento para comunicar ao Judiciário uma suposta prática criminosa e requerer a adoção das medidas cabíveis.

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