O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, voltou a tratar de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, meses após compartilhar informações sobre o imóvel com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.
A conversa foi captada pela Polícia Federal (PF) e integra a decisão do ministro André Mendonça que autorizou, na manhã desta quarta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero. A ação teve como alvos o senador, familiares dele e Guga Lima.
Em uma das mensagens obtidas pela PF, Wagner encaminha a Augusto um pedido atribuído a um de seus “filhos” para obter dados do proprietário formal do imóvel. “Consegue esses dados? O envio do projeto é até o dia 19/05, segunda-feira. Eles também falam de um formulário de envio, mas esse formulário não foi disponibilizado, nem está entre os arquivos do link que a construtora disponibilizou”, diz a mensagem reproduzida na decisão.
Segundo a investigação, as informações seriam necessárias para a emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento exigido para a realização de alterações no imóvel. A PF sustenta que o apartamento teria sido recebido por Wagner como propina em troca de atuação favorável ao Banco Master no Congresso.
A decisão também reproduz uma conversa de 26 de novembro de 2024, na qual o senador encaminha a Augusto o contato do gerente da construtora responsável pelo empreendimento Poème Horto, além de detalhes da unidade. “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”, escreveu o parlamentar, segundo trecho reproduzido pela PF.
No dia seguinte, Wagner também teria enviado o livro digital do empreendimento. De acordo com a investigação, após receber as informações, Augusto acionou interlocutores ligados ao Master para tratar da operacionalização da compra do imóvel.
Segundo a PF, a aquisição foi posteriormente formalizada pela empresa Epítome S.A., representada por Luiz Antônio Lombardi, com recursos oriundos de estruturas de fundos vinculadas ao Master.
