O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reagiu hoje (17) à declaração do presidente Lula durante a cúpula do G7, na França, de que “nunca foi esquerdista”. Ao comentar a fala, o senador afirmou que o presidente altera seu discurso de acordo com o contexto político e criticou a condução da política externa do governo.
“Eu não sabia disso. Ele falou. Bom, ele é um camaleão. O que ele fala, ele muda de acordo com a circunstância. Eu não sabia disso. Para mim, realmente, é mais uma surpresa.”
A declaração foi dada durante encontro promovido pelo Instituto Livre Mercado com jornalistas. Lula havia afirmado mais cedo, em conversa com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão Friedrich Merz, que nunca se considerou um político de esquerda.
Marinho disse que a declaração o surpreendeu, mas afirmou que mudanças de posicionamento do presidente não são novidade.
“Mas surpresa de Lula acontece toda hora e sempre negativa.”
Crítica à política externa
Durante a conversa, o senador também criticou o posicionamento internacional adotado pelo governo brasileiro e defendeu uma atuação baseada em interesses nacionais.
Segundo ele, o Brasil deveria manter relações com diferentes blocos econômicos e políticos sem adotar alinhamentos automáticos.
“Eu acho que o Brasil, dentro dessa conjuntura mundial, precisa defender os seus interesses. Não tem alinhamento automático com quem quer que seja.”
Marinho afirmou que o cenário internacional atual oferece oportunidades econômicas e estratégicas para o país, mas que essas oportunidades dependem da forma como o governo conduz suas relações diplomáticas.
Relação com os Estados Unidos
Ao comentar a política externa do governo Lula, o líder da oposição destacou a importância da relação histórica entre Brasil e Estados Unidos.
“Nós temos um aliado tradicional, que é os Estados Unidos, que é aquele país que mais investe no Brasil, tem 200 anos de relação comercial conosco, tem o maior número de empresas estrangeiras aqui dentro.”
Segundo o senador, o Brasil não precisa adotar posições hostis contra determinados países para manter relações com outros parceiros internacionais.
“Não precisamos ser hostis com um país para sermos afinados ideologicamente com o outro.”
Para Marinho, a política externa brasileira deve buscar equilíbrio nas relações internacionais e priorizar interesses econômicos, comerciais e estratégicos.
Defesa de relações pragmáticas
O parlamentar afirmou que o governo brasileiro pode manter diálogo com diferentes potências globais, desde que o interesse nacional seja o principal critério das decisões.
“O governo pode ter relação com China, pode ter relação com Rússia, pode ter relação com os Estados Unidos, com a Europa, com a Ásia, com a África, desde que o interesse principal seja do Brasil.”
Ao encerrar a avaliação, Rogério Marinho afirmou que não vê esse comportamento na atual administração federal.
“Não é assim que o Lula tem se comportado, infelizmente.”
