O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga criticou hoje (10) a decisão do governo federal de suspender a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. Durante entrevista ao programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, Queiroga afirmou que a medida adotada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, compromete a credibilidade da vacina, mesmo com a manutenção do registro pela Anvisa.
Segundo Queiroga, a vacina cumpriu todas as etapas exigidas para aprovação regulatória e possui evidências científicas que sustentaram sua autorização de uso no Brasil.
“A vacina teve o registro da Anvisa e esse é o ingresso para ela poder ser utilizada no Brasil, seja nas clínicas privadas, seja no sistema único de saúde”, declarou.
O ex-ministro destacou que a vacina contra a dengue é resultado de mais de uma década de estudos e lembrou que o imunizante passou pelas fases 1, 2 e 3 de pesquisa clínica, além de ter seus resultados publicados no New England Journal of Medicine.
Apesar de defender a seriedade dos pesquisadores envolvidos no projeto, Queiroga questionou a decisão de suspender a campanha de vacinação enquanto o registro sanitário permanece válido.
“Agora, lamento que o ministro da Saúde, o senhor Alexandre Padilha, jogue o ordenamento jurídico do Brasil na lata do lixo e comprometa a credibilidade dessa vacina”, afirmou.
Na avaliação do ex-ministro, a manutenção do registro pela Anvisa indica que não há, até o momento, elementos suficientes para relacionar diretamente os dois óbitos investigados à aplicação da vacina.
“Então, ele está dizendo que se a Anvisa mantém o registro é porque a Anvisa está sendo omissa em relação a esses eventos adversos que aconteceram, que até agora não está comprovado se esses dois óbitos são diretamente relacionados à vacina”, disse.
Queiroga também argumentou que a incorporação da vacina ao Sistema Único de Saúde ocorreu sem a tramitação que, segundo ele, seria exigida pela legislação. O ex-ministro afirmou que a análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) não teria sido concluída antes da inclusão do imunizante na rede pública.
“Foi justamente essa fase que foi suprimida na incorporação da vacina da dengue no SUS. Ela foi incorporada e não há um relatório da Conitec”, declarou.
Ao comentar a suspensão da vacinação, Queiroga afirmou que a medida adotada pelo Ministério da Saúde difere de situações em que a própria Anvisa determina o cancelamento de registros sanitários.
“Ô Padilha, por que que a Anvisa manteve o registro e você retirou a campanha de vacinação? Por quê? Cê não acredita na vacina, Padilha?” questionou.
O ex-ministro também afirmou que eventos adversos graves precisam ser investigados, independentemente do produto envolvido.
“Se a vacina ou qualquer fármaco ou qualquer produto apresentar eventos adversos ou eventos adversos graves, como é o caso de um óbito, naturalmente que pós-registro se pode cancelar o próprio registro”, declarou.
Durante a entrevista, Queiroga voltou a defender a gestão do governo Jair Bolsonaro na área de imunização. Segundo ele, a administração federal ampliou os mecanismos de registro das vacinas aplicadas e fortaleceu o monitoramento por meio do Conecte SUS.
O ex-ministro também criticou o governo Lula ao tratar das políticas de vacinação e da incorporação de imunizantes ao SUS.
“Quem atrasou vacinas foram eles”, afirmou ao comentar o intervalo entre a aprovação regulatória e a incorporação de vacinas ao sistema público de saúde.
