A 14ª edição do Fórum de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”, registra neste ano uma queda na presença de autoridades dos três Poderes em comparação às edições anteriores, em meio à repercussão das investigações da Polícia Federal (PF) envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o recuo é evidente. Em 2025, o evento contou com cinco ministros em exercício, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, que é organizador do evento, além do ministro aposentado Ricardo Lewandowski.
Em 2026, a lista caiu para dois nomes da Corte: Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, com Barroso e Lewandowski entre os aposentados que seguem participando.
No Executivo, também há redução. No ano passado, estiveram no fórum seis integrantes do governo Lula, entre eles Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça, Alexandre Silveira, de Minas e Energia, Márcio França, do Empreendedorismo, Jader Barbalho Filho, das Cidades, Jorge Messias, advogado-geral da União, e Adriano Massuda, da Saúde.
Neste ano, são três representantes confirmados: Alexandre Silveira, o atual ministro do Empreendedorismo Paulo Henrique Pereira e o ministro da Justiça Wellington César Lima e Silva.
No Legislativo, o movimento é contrário. Em 2025, participaram 16 parlamentares, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em investigações da PF que envolvem Vorcaro. O senador nega irregularidades. Para 2026, o número sobe para 18 congressistas confirmados.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também registra queda. A edição atual reúne 11 ministros, contra 17 no ano anterior.
Entre governadores, a retração é mais acentuada. Em 2025, participaram Helder Barbalho (Pará), Mauro Mendes (Mato Grosso), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Em 2026, apenas o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), confirmou presença.
O esvaziamento do Fórum de Lisboa ocorre no rastro da explosão do caso Master após a PF revelar que Vorcaro custeou despesas de luxo de autoridades brasileiras no exterior: os gastos incluem passagens, hospedagens e eventos em cidades como Londres e Lisboa, com estimativa de cerca de R$ 60 milhões.
Parte dessas despesas teria sido direcionada a eventos paralelos ao Fórum de Lisboa, o “Gilmarpalooza”, além de outras agendas internacionais realizadas no mesmo período.
