Farmacêutica ligada ao Master atrasa entrega ao SUS
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Política

Farmacêutica ligada ao Master atrasa entrega ao SUS

Ministério da Saúde notificou farmacêutica após pendência de mais de 1,5 milhão de doses de insulina

Ministério da Saúde nega desperdício em descarte de vacinas e medicamentos do SUS estimado em R$ 108 milhões e cita ressarcimento e regras sanitárias
Fachada do Ministério da Saúde na Esplanada dos Ministérios

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Por Redação

O Ministério da Saúde notificou a farmacêutica Biomm após atrasos na entrega de insulina ao SUS em um dos principais contratos de abastecimento da rede pública. Dados oficiais apontam pendência superior a 1,57 milhão de doses, mesmo faltando apenas um mês para o encerramento do acordo.

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O contrato firmado com a Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório público ligado ao governo de Minas Gerais, prevê o fornecimento de pouco mais de 8 milhões de doses de insulina ao custo total de R$ 142,1 milhões. Até agora, foram apresentados ao governo federal R$ 114 milhões em notas fiscais referentes às entregas realizadas.

A produção, porém, não é feita diretamente pela Funed. A fabricação ocorre em parceria com a Biomm e com o laboratório indiano Wockhardt, dentro de uma Parceria para Desenvolvimento Produtivo aprovada pelo Ministério da Saúde ainda em 2017.

No meio da execução do contrato, a Biomm passou por mudanças societárias ligadas ao escândalo do Banco Master. Até abril deste ano, o principal acionista da farmacêutica era um fundo controlado pelo banco de Daniel Vorcaro. Após a liquidação do fundo Cartago FIA, as ações passaram ao Banco de Brasília (BRB), que posteriormente vendeu a participação para a gestora Alaska Asset Management.

Outro ponto que afetou o contrato envolve a parceira indiana Wockhardt. Um mês após a assinatura do acordo, a empresa apresentou à Anvisa um pedido de alteração no processo de fabricação da insulina. Após meses de análise e exigências técnicas, a agência rejeitou o pedido em abril deste ano.

Segundo o Ministério da Saúde, não há desabastecimento de insulina no SUS. A pasta afirmou que mantém “envios regulares aos estados” e destacou que acompanha “de forma rigorosa” o cumprimento dos contratos, notificando empresas em caso de descumprimento de cronograma. O governo informou ainda que 85,7% das entregas previstas pela Funed já foram executadas.

A Biomm confirmou alterações no cronograma de entrega, mas afirmou que os contratos estão “substancialmente atendidos”. Em nota, a empresa atribuiu os atrasos à crise logística global, aos conflitos no Golfo e às restrições internacionais no fornecimento de insulina. A farmacêutica declarou que restam 445.168 unidades para entrega, o equivalente a cerca de 3% do volume contratado, e disse que os produtos aguardam apenas liberações da Anvisa e trâmites de faturamento.

Veja a íntegra da nota da Biomm enviada para a equipe deste site:

“A Biomm esclarece que os Contratos 188/2025, referentes ao fornecimento de frascos de insulina humana regular e NPH, e 190/2025 ao Ministério da Saúde seguem sendo cumpridos em conformidade com os prazos contratuais. A companhia informa que os 445.618 tubetes remanescentes já estão disponíveis, aguardando apenas liberação da Anvisa, com entrega planejada até 31 de maio. Dessa forma, não procede a informação de que 1,57 milhão de doses deixaram de ser entregues ao Ministério da Saúde.

A companhia reafirma sua capacidade de atender à totalidade dos volumes de insulina solicitados pelo Ministério da Saúde para os pacientes do SUS e reforça seu comprometimento em reduzir a necessidade de o Brasil importar medicamentos cuja capacidade de produção já existe dentro do território nacional, fruto de investimentos no complexo industrial da saúde e da geração de centenas de empregos no Brasil.”

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