Com quem mais Galípolo se reuniu secretamente?
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Artigos Exclusivos

Com quem mais Galípolo se reuniu secretamente?

Presidente do BC Gabriel Galípolo na CAE
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Compartilhe em

Foto do autor

Por Claudio Dantas

Gabriel Galípolo disse ontem ao Senado que Lula e Daniel Vorcaro já estavam reunidos no Palácio do Planalto quando ele chegou, no já longínquo 4 de dezembro de 2024. Ele poderia ter dado meia-volta e se retirado, já que era diretor de Política Monetária e não de Fiscalização. Mas lá permaneceu, ouviu e falou ninguém sabe o quê, pois não houve registro do encontro. Sabe-se apenas, pois ele mesmo admitiu, que saiu de lá com a missão de tratar o caso Master ‘tecnicamente’ — certamente, quando assumisse a Presidência do BC em janeiro.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Esse mesmo Galípolo, que recebe ordens do presidente da República na presença de um banqueiro enrolado, num caso fora de sua alçada, também disse ontem que as diretorias do Banco Central são autônomas, que não há hierarquia e nem interferência. Essa justificativa, ressalta-se, foi usada para rebater questionamento sobre o fato de ter ido a uma reunião secreta fora do BC sem comunicar isso a Roberto Campos Neto, seu então presidente.

Em qualquer país sério, diante desse cenário, o presidente do Banco Central teria renunciado sob pressão do Congresso, do mercado e da imprensa. Num país sério haveria pressão do Congresso, do mercado e da imprensa. Aliás, num país sério Galípolo nunca seria presidente do Banco Central, por ter trabalhado na campanha de Lula. Ao menos, se tivesse vergonha na cara, deixaria o cargo hoje, após admitir publicamente ontem ter atendido a um pedido do presidente da República na presença de um banqueiro enrolado.

Ressalta-se que, em nenhum momento, Galípolo disse não conhecer a situação do Master, muito pelo contrário. Ou seja, o presidente do Banco Central não viu problema algum em se reunir fora da agenda com Daniel Vorcaro, Lula, Guido Mantega e Alexandre Silveira. Se tivesse ao menos vergonha na cara, Galípolo teria vergonha de pedir mais autonomia para o BC, enquanto protagonizou um claro ato de submissão política com gravíssimos questionamentos éticos.

Se Galípolo fosse sério num Brasil sério, ele pressionaria o Congresso a retirar da pauta a PEC da autonomia financeira do BC. O texto, para que não leu, dá à autarquia poderes especiais para criar instrumentos financeiros para se autofinanciar, o que estabelecerá um dilema ético indissolúvel entre o órgão regulador e o mercado regulado. Dilema bem parecido ao do TSE, responsável por organizar e fiscalizar as eleições que ele mesmo organiza.

Entendeu?

Talvez, Galípolo só esteja ainda no cargo por ter topado outras missões de Lula ou, quem sabe, assumido compromissos irrecusáveis de outros banqueiros enrolados, em outras reuniões secretas sobre as quais o Congresso, o mercado e a imprensa ainda não tiveram conhecimento. Vai saber… Mas não me surpreenderia se fosse verdade. Afinal, não parece haver limites ou escrúpulos para um presidente do BC que se reúne fora da agenda com Lula, Daniel Vorcaro, Guido Mantega e Alexandre Silveira.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade