Os supermercados do Estado de São Paulo enfrentam um cenário inédito de escassez de trabalhadores, com cerca de 30 mil vagas abertas em suas 24 mil lojas. O setor, responsável por quase um terço do faturamento nacional, cerca de R$ 300 bilhões em 2023, enfrenta dificuldades na expansão por falta de mão de obra.
“Nunca houve tantas vagas em aberto”, afirmou Erlon Ortega, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em sua primeira entrevista após assumir o cargo. Segundo ele, há lojas prontas para inauguração que não abriram por não conseguirem contratar funcionários.
Além desse desafio, Ortega também lida com a pressão da inflação de alimentos, que impacta diretamente o consumidor e gera cobranças sobre o setor. Ele afirma que há sinais positivos no início do ano, com a queda no preço de algumas matérias-primas, exceto o café, o que pode estimular o consumo.
A Apas negocia com o governo medidas para aliviar o custo dos produtos, incluindo a redução das taxas dos tíquetes alimentação, que encarecem os preços mesmo para quem não utiliza essa forma de pagamento. Enquanto isso, Ortega reforça que os supermercados tentam segurar o repasse de aumentos ao consumidor devido à forte concorrência e à existência de estoques reguladores.