O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (26) em alta de 0,83%, cotado a R$ 5,80, impulsionado pelos dados de emprego formal acima das projeções do mercado. A forte criação de vagas no país gerou apreensão sobre os rumos da taxa de juros, elevando a cautela entre os agentes financeiros.
A moeda americana já vinha subindo desde segunda-feira (24), quando o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, antecipou que o Brasil criou mais de 100 mil empregos com carteira assinada em janeiro. O número surpreendeu o mercado, que esperava um saldo entre 40 mil e 60 mil vagas. Nesta quarta, o governo oficializou a criação de 137.303 empregos formais no mês, representando uma queda de 20,7% em relação ao mesmo período de 2024, mas ainda acima das projeções do setor financeiro.
Em entrevista, Marinho ironizou a reação dos investidores e afirmou que o mercado “ficou nervosinho” com os números do Caged. Segundo ele, os analistas são “incapazes” de prever a realidade econômica do país.
“Foi assim em 2023, projetaram um PIB de 0,7% no máximo e crescemos 3,2%. Agora estão tentando projetar para baixo novamente”, declarou.
Política Monetária
O ministro também afirmou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, será pressionado pelo mercado financeiro a elevar a taxa Selic. Na última semana, Galípolo já havia indicado que o Copom (Comitê de Política Monetária) pode subir os juros na próxima reunião, em março, dependendo dos indicadores econômicos.
A criação de empregos pode pressionar a inflação de serviços e impactar o IPCA, o que tornaria uma Selic mais elevada necessária nos próximos meses para conter os preços.