Qual o segredo do Amapá? - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
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Qual o segredo do Amapá?

Reprodução/William Júnior

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Por Claudio Dantas

Desde a redemocratização, o Senado teve 22 presidentes. O mais recente foi eleito ontem: Davi Alcolumbre, do Amapá. É seu segundo mandato no comando do Congresso Nacional. Como escrevi mais cedo, o senador formou uma Mesa Diretora sem nenhum representante do Sul e do Sudeste, estados que concentram 70% do PIB e quase 60% do eleitorado.

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Na prática, significa que o eleitor dessas regiões, aquele que banca a maior parte da conta da máquina pública através dos impostos gerados, não comanda a pauta na Câmara Alta. Na verdade, só comandou a casa uma única vez em 40 anos da Nova República! É impressionante, não?

Mais impressionante é descobrir que o Amapá de Davi foi o estado que mais comandou o Senado neste tempo.

Dois mandatos com Davi Alcolumbre e outros quatro com José Sarney. O maranhense transferiu seu domicílio eleitoral para o Amapá, a fim de reduzir a concorrência e abrir espaço no Maranhão para sua prole e afilhados políticos. Pode-se dizer que Sarney exerceu um quinto mandato na Presidência do Senado via Edison Lobão, seu pupilo.

O Amapá, em número de mandatos no comando do Senado, ultrapassa Alagoas, que emplacou Renan Calheiros outras quatro vezes — numa delas, seu mandato foi interrompido após um escândalo de corrupção conhecido como Renangate.

Como agora o estado de Alcolumbre é o líder isolado, cabem algumas perguntas: como um estado pobre, de baixíssima densidade populacional (cerca de 700 mil habitantes, equivalente a Uberlândia) e eleitoral (apenas 570 mil eleitores), consegue expressar tanta força política? Por que essa ‘potência dos gabinetes’ não é capaz de levar o desenvolvimento a seus cidadãos? Não é capaz de construir uma simples ponte para ligar o estado ao resto do país?

Sim, cercado por rios, o Amapá não possui uma única ligação terrestre!!!

A única ponte que existe no estado é internacional, conectando-o à Guiana. A estrutura foi feita em parceria com o governo francês! Uma outra ponte, que deveria ligar o Amapá ao Pará, via Laranjal do Jari, começou a ser construída em 2001, consumiu mais de R$ 21 milhões dos cofres públicos e ficou só nos pilares — os ex-prefeitos foram denunciados por desvios e R$ 15 milhões, mas acabaram absolvidos.

Em 2019, Davi Alcolumbre prometeu usar seu poder de presidente do Senado para concluir a obra. Tirou fotos no local e não voltou mais. Está do mesmo jeito. Nem com orçamento secreto, nem com mais de R$ 100 milhões em emendas destinadas ao Amapá — que, aliás, é recordista em recursos sigilosos –, o senador concluiu a obra.

Sigo, questionando: Para onde foi esse dinheiro? Por que Alcolumbre não construiu uma simples ponte? Afinal, qual o segredo do Amapá? Qual o segredo de Davi Alcolumbre? Qual o segredo de José Sarney?

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